A presidente Dilma Rousseff disse na tarde de ontem, no Piauí, que seu governo irá erradicar a miséria extrema no país até o “início de 2014”. O anúncio foi feito em um dos Estados com o maior número de famílias com renda per capita mensal abaixo de R$ 70, critério para a aferição da condição de miséria extrema. A partir desse valor, o governo considera que a pessoa não está mais no grupo de extrema pobreza.
Dilma afirmou, durante discurso na cerimônia de entrega de 400 apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida, em Teresina, que alguns Estados erradicarão a miséria ainda este ano. Os demais, em 2014. “Temos o objetivo de acabar com essa pobreza extrema até 2014. É óbvio que não vai ser no dia 31 de dezembro de 2014. Vamos acabar com a pobreza extrema na maioria dos Estados do Brasil ainda no ano de 2013 e vamos completar esse processo de tirar da pobreza no início de 2014. É possível e vai ser feito”, disse. “Um país não vai ser respeitado se nós deixarmos uma parte do nosso povo, uma parte da nossa população em condições de pobreza”, afirmou Dilma. “Achamos que o país vai crescer se as pessoas crescerem junto.”
A presidente iniciou ontem o roteiro de viagens deste ano pelo país. Antes de visitar Teresina, ela esteve em São Julião, no interior do Estado, onde visitou uma obra de combate à seca. Após visitar o Piauí, a expectativa é que Dilma desembarque nas próximas semanas em Sergipe, Paraíba e Pernambuco. A região Nordeste é onde o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) –um dos nomes lembrados para a disputa presidencial de 2014–, concentra sua maior força política.
ENCONTRO PREFEITOS – De olho no apoio dos municípios para 2014 e com objetivo de se aproximar dos prefeitos recém-empossados, o Palácio do Planalto vai fazer um show room de seus programas e colocar ministros de plantão à disposição dos novos executivos municipais entre os dias 28 e 30, no Centro de Convenções, em Brasília. Será uma megaestrutura com apresentação de planilhas e dados atualizados de todo tipo de programa do governo federal e convênios, com o passo a passo que o prefeito deve seguir para conseguir receber a verba, no menor prazo possível.
Essa estratégia servirá para abrir um canal aberto direto com os prefeitos, neutralizando, de certa forma, deputados e senadores, assim como os lobistas, que tradicionalmente atuam como facilitadores para obtenção de verbas nos ministérios. O encontro também tenta esvaziar da cabeça dos prefeitos a atuação dos pretensos presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves, que têm feito discurso em defesa de um novo pacto federativo.
O encontro foi convocado pela própria presidente Dilma Rousseff. No final do ano passado ela que encaminhou a todos os 5.566 prefeitos eleitos uma carta-convite, assinada por ela, chamando-os para a viagem a Brasília. O convite, no entanto, não inclui pagamento de passagens, hospedagem ou refeições dos prefeitos. Os custos previstos pelo Planalto de R$ 3 milhões para o encontro prevê apenas gastos com a montagem e aluguel da estrutura do local das reuniões, sistema de som, internet, água e café.
Todos os ministros estão convocados a participar da cerimônia de abertura do encontro com os novos prefeitos e prefeitas, às 18 horas, do dia 28. Antes disso, no entanto, sete ministros já terão montado salas de atendimento para que os prefeitos tenham aulas sobre como usar toda a estrutura disponível do governo federal em favor dos municípios. Dilma determinou aos ministros que sejam didáticos e objetivos. Além disso, está proibido o uso de tom político em suas falas. A ordem é para que apenas expliquem os programas e projetos.
Hoje há uma queixa muito forte em relação à redução dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Uma das formas de tentar reduzir as queixas é abrir as portas dos ministérios aos prefeitos. De certa maneira, esta também será uma forma de diminuir a pressão que o Planalto recebe dos parlamentares, em busca de pagamento de emendas. O governo sabe que as pressões por emendas sempre existirão, já que anualmente, elas representam R$ 15 milhões no orçamento para cada um dos 513 deputados e 81 senadores. Mas, com um canal aberto direto com o prefeito, os deputados ficam mais neutralizados, tentando diminuir o “toma lá da cá” que costuma acontecer nas vésperas de importantes votações no Congresso.
Conciliação
O governo quer ainda concentrar toda a movimentação dos prefeitos no Centro de Convenções, evitando, com isso, romaria deles aos ministérios ou ao Planalto. A data do encontro também foi cuidadosamente escolhida já que o Congresso ainda estará em recesso e os prefeitos terão de se concentrar na busca de parcerias com o Executivo. E a presidente Dilma trabalhará seu discurso para ser o mais conciliador e acolhedor possível. “Nesse encontro, quero estimular a melhoria da gestão e contribuir com as novas prefeitas e prefeitos, apresentando os principais programas federais que podem ser acessados pelos municípios”, disse Dilma na carta-convite encaminhada aos prefeitos.
“Quero reafirmar o meu compromisso de uma relação de respeito, diálogo e parceria com todas as prefeitas e prefeitos, independente do seus partidos políticos”, prosseguiu a presidente. “Esta será a primeira de muitas oportunidades que teremos para estreitar laços e parcerias em favor da sua cidade e do Brasil”, afirmou a presidente.
O Povo





