Caso Marielle: ex-PM nega participação na morte, em depoimento a polícia

Caso Marielle | O ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, conhecido por Orlando Curicica, negou qualquer envolvido nas mortes...

Segundo o miliciano, o delator não tem qualquer credibilidade e não fala a verdade sobre o caso | Foto: © Renan Olaz/CMRJ

Segundo o miliciano, o delator não tem qualquer credibilidade e não fala a verdade sobre o caso | Foto: © Renan Olaz/CMRJ

Caso Marielle | O ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, conhecido por Orlando Curicica, negou qualquer envolvido nas mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. Ele foi apontado como um dos responsáveis pelo crime, juntamente com o vereador Marcello Siciliano (PHS).

Indicado como membro de uma milícia da zona oeste do Rio, ele prestou depoimento aos investigadores da Divisão de Homicídios (DH) nesta quarta-feira (16/mai), no Complexo Penitenciário de Gericinó.

Acompanharam o interrogatório o delegado Luís Otávio Franco, dois inspetores da Polícia Civil, e dois advogados de Orlando, Renato Darlan e Pablo Andrade.

“O depoimento todo durou cerca de 40 minutos. As perguntas foram no sentido se ele conhecia a vereadora Marielle e seu motorista. Se ele tinha relacionamento com o vereador Marcello Siciliano. Se ele tem a quem atribuir essa situação toda. Hove uma demora, apesar do depoimento ser curto, porque ocorreu uma conversa antes do depoimento, e todo um procedimento”, explicou o advogado Pablo Andrade.

Ainda segundo o advogado, Curicica não se negou a responder qualquer uma das oito perguntas realizadas pelos investigadores: “Orlando negou envolvimento com este crime bárbaro. Disse que não tem relação nenhuma com o Marcelo Siciliano, que nunca esteve em lugar nenhum em reunião com o vereador”, afirma a defesa.

Os advogados do miliciano já solicitaram à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) a transferência de seu cliente, preso atualmente em Bangu 1, a 5ª Vara Criminal da Capital determinou, no entanto, a transferência do ex-PM para um presídio federal de segurança máxima.

“A gente entende que a juíza da 5ª vara Criminal não é competente para fazer a transferência. Na 5ª vara, ele responde por posse de arma de calibre restrito. Há outros dois processos que ele responde, que em tese seriam mais graves. Existe um processo, na 14ª Vara Criminal, que apura se o Orlando é ou não parte de uma milícia. Então, quem deveria decretar a transferência dele seria o juízo da 14ª Vara Criminal e não a 5ª vara Criminal, pontuou Andrade, considerando a decisão “absurda”.

De acordo com o ex-PM, o delator não tem qualquer credibilidade e não fala a verdade sobre o caso.

Ofereceram R$ 1 mi para envenenar a comida’, diz defesa de ex-PM

O advogado Renato Darlan, que defende o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, suspeito de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, afirmou, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (15/mai), que a família do ex-PM está sendo vítima de ameaças.

A mulher do suspeito, que pediu para não ser identificada, disse que teve que sair de casa com a família e parentes e que também não está indo trabalhar. Ela relatou que teve uma das cercas elétricas de sua casa cortada.

Também conhecido como Orlando de Curicica, Araújo é apontado como membro de uma milícia da zona oeste do Rio e já estava preso preventivamente por um assassinato ocorrido em 2015, além de outros crimes, quando uma testemunha o apontou como um dos mandantes da morte de Marielle.

Segundo seu advogado, Orlando disse ter sofrido tentativa de envenenamento no presídio de Bangu. “Um carcereiro revelou a ele que ofereceram R$ 1 milhão para envenenar a comida”, disse Darlan, afirmando ainda que o suspeito já está sem comer há cinco dias.

A defesa do ex-PM também pediu, nesta terça, o afastamento do titular da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, Giniton Lages, que, segundo o defensor, teria “cometido várias ilegalidades”, como intimidação e coação de Orlando para ele assumir a participação no crime.

“Orlando contou que recebeu a visita do Giniton Lages que o obrigou a assumir o crime. Ele (Giniton) disse que só queria prender o vereador Marcello Siciliano e me daria o perdão legal”, afirmou Darlan. Nas palavras do advogado, a suposta intimidação do titular da DH foi um “blefe de iniciante.

Segundo Darlan, Giniton teria dito a seu cliente que, caso ele não assumisse o envolvimento, Orlando seria imputado em outros dois homicídios, entre eles o de Carlos Alexandre Pereira, um assessor de Siciliano.

Com informações: Folhapress, Notícias ao Minuto

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