
Com a roupa do corpo e os chinelos do marido, ela permaneceu ao lado do filho por mais de 24 horas. Não arredou pé do hospital em nenhum momento, na esperança por boas notícias. “O que eu mais quero para o meu filho é saúde. E, neste momento, só Deus é quem pode dar”. A fala é da mulher de 38 anos que teve o filho agredido por cerca de dez colegas de escola, na tarde da última quarta-feira, 30, no bairro Henrique Jorge, em Fortaleza. O garoto continua internado, diagnosticado com um coágulo na cabeça. O quadro é estável.
O crime ocorreu próximo à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (E.E.F.M.) Professor Paulo Freire, localizada na avenida Senador Fernandes Távora. Conforme O POVO publicou ontem, o adolescente de 16 anos foi espancado após sair do colégio. O motivo da agressão teria sido uma “brincadeira de mau gosto” feita em sala de aula.
Segundo a mãe da vítima, um outro garoto, de 14 anos, também foi agredido. Eles teriam sido alvo de uma piada feita por um professor de Educação Física. O educador teria feito uma foto dos dois e ameaçando postar a imagem nas redes sociais. “Ele disse que formavam um casal lindo”, comentou a mãe.
Após a “brincadeira”, o jovem de 14 anos, que seria o alvo da chacota, foi xingado e ameaçado por colegas. Na saída, foi agredido pelo grupo. O segundo estudante tentou impedir o linchamento e acabou espancado. Na tarde de ontem, ele foi transferido do Instituto Doutor José Frota (IJF) para o Hospital Batista Memorial. “Quero que sejam tomadas providências. A função de um professor é educar e não desorientar, como ele fez”, acusou a mãe.
O POVO tentou ouvir o professor por meio da Secretaria Estadual da Educação do Ceará (Seduc). A assessoria de imprensa do órgão informou apenas que ontem ocorreu a primeira reunião e a discussão do assunto ainda não foi concluída. O coordenador da Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza, Célio Pinheiro, acompanha o estado de de saúde do aluno.
O Povo




