Brasil terá programa contra a desinformação nas eleições; entenda

A iniciativa First Draft, da Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard (Estados Unidos), lançou ontem...

Fake News
Foto: Imagem Ilustrativa/Google
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A iniciativa First Draft, da Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard (Estados Unidos), lançou ontem no Brasil o programa Comprova para checar fatos e notícias nas eleições de 2018. Uma coalizão com 24 empresas de jornalismo, entre elas o jornal O POVO, irá atuar para contrapor, esclarecer e desmascarar textos, fotos e vídeos fraudulentos durante a campanha para as eleições presidenciais. As atividades de verificação começam a partir de 6 de agosto.

 

Todo o conteúdo será livre para republicação de outras organizações que não estão na coalizão. Para que a peça investigativa seja publicada, pelo menos três veículos da coalizão precisam aprovar a checagem. Os selos de cada veículo que aprovou a publicação serão mostrados ao fim de cada matéria de verificação no site www.projetocomprova.com.br. Por meio de WhatsApp e redes sociais, o público poderá enviar sugestões de rumores para averiguação.

 

“Precisávamos de jornais grandes porque temos de ter alcance, mas queremos a participação de jornais locais também, para que possamos chegar aos extremos do País”, explica Claire Wardle, idealizadora do programa e pesquisadora da Universidade de Harvard. No Nordeste, somente O POVO e Jornal do Commercio (Pernambuco) fazem parte da coalizão.

Claire explica ainda que as notícias terão vários critérios de avaliação. Intenção não é tachá-las de “falsas” ou “verdadeiras”. Em vez disso, haverá marcadores que apontarão se o contexto foi distorcido, se os números estão errados ou se o texto não tem fatos concretos como base. O Brasil é o quarto país do mundo a receber essa iniciativa que atuou, com modelos similares, nas eleições dos Estados Unidos (2016), Reino Unido (2016), França (2017), Alemanha (2017).

[ads1] “Achávamos que os veículos não iriam querer colaborar uns com os outros, por serem concorrentes comerciais. Mas no Brasil eles mostraram que querem trabalhar juntos. Queremos que dê certo no Brasil para mostrarmos que a coisa pode funcionar, sim. Na Alemanha, por exemplo, eles não toparam trabalhar juntos”, afirma Claire.

O diretor-adjunto de Redação do O POVO, Erick Guimarães, afirma que é papel do jornalismo combater a distorção e a desinformação. “Uma coalizão que reúne 24 veículos de imprensa é uma importante resposta à campanha de desinformação que estamos assistindo contra a democracia brasileira. Por isso, nos engajamos no Comprova”, defendeu.

A editora do site da revista Nova Escola, Soraia Yoshida, afirma que o veículo entra no projeto com a experiência que tem dentro da educação. “Somos uma exceção porque somos muito especializados. Focaremos em dois temas: escola sem partido, que toca a nossa seara, e identidade de gênero”, explica.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) será a coordenadora do Comprova em um esforço de combater a disseminação da desinformação. “Esse projeto é uma tentativa de ajudar a sociedade a se informar melhor e evitar que a decisão do voto seja contaminado por informação de má qualidade e conteúdo enganoso. O projeto vai deixar um lastro de aprendizado em cada uma das redações. As pessoas vão aprender a detectar e checar o conteúdo ruim. Essa prática vai ter um efeito de longo prazo”, afirma o presidente da entidade, Daniel Bramatti.

SERVIÇO

www.projetocomprova.com.br

Twitter @comprova

www.youtube.com/comprova

Facebook.com/comprovaBR

 

WhatsApp irá ceder ferramenta de comunicação ao Comprova para a checagem de dados e o envio de mensagens entre vários usuários. Normalmente, esse sistema é exclusivo para empresas, como companhias aéreas. 

Além do O POVO, participam do Comprova Folha de S. Paulo, AFP, O Estado de S. Paulo, Poder360, Band, BandNews, Canal Futura, Correio do Povo, Exame, Gaúcha ZH, Gazeta do Povo, Gazeta Online, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, Nova Escola, NSC Comunicação, Piauí, Rádio Band News FM, Rádio Bandeirantes, UOL, SBT e Veja.

O Povo

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