
Está faltando sementes de feijão para a maioria dos agricultores cadastrados no Programa Hora de Plantar, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA). O motivo é pouca oferta do produto em decorrência da seca do último ano. Além do feijão, a maniva usada para o cultivo de mandioca também está escassa. Em alguns municípios, já teve início a distribuição das sementes pelo governo.
A seca do último ano prejudicou o estoque de sementes principalmente de feijão, segundo afirmou o coordenador de Desenvolvimento da Agricultura Familiar da SDA, Itamar Lemos. De acordo com ele, muitos produtores de sementes voltaram sua produção para o consumo, já que o feijão praticamente desapareceu das pequenas lavouras. Isso teria elevado o aumento do preço do produto. Daí a dificuldade para o Estado adquirir o grão a ser distribuído entre os pequenos agricultores.
“Nosso maior problema tem sido o feijão, onde nós só conseguimos 30% do que queríamos comprar. O preço do quilo para o consumo ano passado estava a R$ 7,00, então isso desestimulou a produção de sementes para o plantio”, lamenta.
Com relação à maniva, Lemos afirma que os preços também se elevaram devido ao baixo estoque. “O pouco que tem os produtores estão vendendo a preços muito altos e não há como o Estado competir. O metro cúbico de maniva era vendido a R$ 55,00. Tem produtor comprando a um preço de R$ 120,00 a R$ 170,00, e não temos condições devido ao nosso orçamento ser limitado”, reclama.
Além do baixo estoque, o governo disponibilizou R$ 16 milhões para a compra das sementes. Lemos afirma que o valor é insuficiente para atender à grande demanda. “Esse valor foi o mesmo disponibilizado no ano passado mas, neste ano, porque estamos saindo de um ano de seca, a demanda aumentou. Há locais onde não haverá disponibilidade de feijão e maniva para o cultivo”, lamenta.
Em 2012, o Programa Hora de Plantar disponibilizou 500 toneladas de feijão e 12 mil metros cúbicos de maniva para distribuir entre os agricultores cadastrados em todo o Estado. A demanda atendeu cerca de 140 mil beneficiários. Porém, neste ano, o número será reduzido, já que, devido à baixa disponibilidade de algumas sementes, estarão disponíveis aos produtores somente 150 toneladas de feijão e três mil metros cúbicos de maniva, número muito abaixo do esperado pelos produtores.
A procura por outras sementes foi satisfatória. O Programa conseguiu adquirir 3.100 toneladas de milho, 160 toneladas de mamona, 420 mil mudas de cajueiro anão precoce, 3 mil metros cúbicos de palma forrageira, dentre outras.
Algumas regiões já estão recebendo as sementes para serem distribuídas. Segundo afirmou o gerente do escritório regional da Ematerce em Russas, Tarcísio Paiva, as sementes serão distribuídas na próxima terça-feira. “Infelizmente, devido a esses problemas, não vamos conseguir atender a todos, mas estaremos disponibilizando o milho, sorgo forrageira, mudas de caju anão precoce e feijão guandu em pouca quantidade”, explica.
Segundo ele, estão cadastrados no programa cerca de 3 mil pessoas só em Russas. O gerente alerta para que os agricultores compareçam cedo, afim de garantir as sementes.
De acordo com o secretário de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Ceará (Fetraece), Luiz Carlos Ribeiro de Lima, o problema é visto com muita preocupação pela entidade. “Ano passado já foi um ano muito difícil para a agricultura devido à seca. Neste ano, ainda estamos sofrendo consequências da falta de chuvas. O agricultor que quer aproveitar esse período de chuvas para plantar vai encontrar muitas dificuldades”, lamenta o sindicalista.
Luiz Carlos orienta para os presidentes de associação e sindicatos alertarem os agricultores cadastrados, para que eles busquem receber as sementes junto à Ematerce. “Ano passado, tivemos um grande problema de agricultores que não estavam cadastrados no programa e que receberam as sementes”, afirma. Segundo ele, devido à baixa oferta, os produtores devem ficar atentos às datas de distribuição.
Diário do Nordeste




