Os presidentes dos três maiores partidos de oposição divulgaram nota ontem acusando a presidente Dilma Rousseff de sugerir a realização de reforma política para tentar tirar o governo do foco das manifestações populares. A oposição defende a realização de referendo, e não plebiscito, para que a população defina o novo sistema político do país –ao contrário do que sugeriu a presidente. Um plebiscito é uma eleição na qual a população escolhe uma entre diferentes propostas sobre um tema. Já no referendo o povo aprova ou rejeita uma decisão de Estado já aprovada. Os presidentes do PSDB, DEM e Mobilização Democrática –Aécio Neves, José Agripino Maia e Roberto Freire– se reuniram para unificar o discurso contra Dilma –quando elaboraram a nota conjunta. “A iniciativa do plebiscito, tal como colocada hoje, é mera manobra diversionista, destinada a encobrir a incapacidade do governo de responder às cobranças do brasileiros, criando subterfúgio para deslocar a discussão dos problemas reais do país”, diz a nota.
Os presidentes dos partidos de oposição afirmam que a reforma política possui uma “legislação complexa” que impede a população de responder apenas “sim” ou “não” ao definir o novo modelo de sistema político brasileiro, como previsto em um plebiscito.
A oposição diz que Dilma tenta dar destaque sobre a realização do plebiscito depois que viu derrotada sua “tentativa golpista de uma constituinte restritiva” para discutir a reforma política. “Se tivesse, de fato, desejado tratar com seriedade esta importante matéria, a presidente já teria, nesses dois anos e meio [de governo], manifestado à nação a sua proposta para o aperfeiçoamento do sistema partidário, eleitoral e político brasileiro”, afirmam na nota. Segundo os presidentes dos partidos de oposição, enquanto Dilma tira o foco da crise, o cenário econômico brasileiro se agrava, a inflação cresce, o crescimento do país se retrai e o governo perde credibilidade no exterior.
Embora estejam dispostos a conversar com a presidente para dialogar sobre os rumos do país, os oposicionistas até agora não receberam convite do Palácio do Planalto para conversar –embora o governo tenha divulgado que Dilma pretende se reunir com a oposição. A intenção do grupo é apresentar à presidente, durante o encontro, pauta de 26 propostas detalhadas em manifesto lançado como resposta às manifestações.
Folhapress





