
“O acúmulo de lixo em lugares públicos é uma coisa tão diluída na cidade que já virou uma questão cultural do nosso povo”, a afirmação em tom de lamento é da diretora de fiscalização da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), Lúcia Coelho. São aproximadamente 1.500 pontos de lixo em Fortaleza espalhados em canteiros centrais, muros e calçadas. Só na avenida Presidente Castelo Branco, conhecida como Leste-Oeste, no bairro Pirambu, há dois ‘depósitos’ a céu aberto. Um deles fica na calçada do prédio do centro comunitário do bairro. O outro fica no cruzamento da avenida com a rua Eduardo Studart.
“O problema é que o povo não é educado. A coleta é feita todo dia, mas as pessoas ficam esperando o carro do lixo ir embora pra começar a jogar novamente”, denuncia a aposentada Graça Pereira, de 63 anos. Ela relata que precisa trafegar pela avenida para não pisar na sujeira. A queixa é reforçada pela estudante Natália Martins, 12. “Não era para jogar lixo na calçada, não. Olha o mau cheiro que fica”, reclama.
Detritos
A variedade de detritos nesses pontos de acúmulo de lixo no Pirambu é grande. Pedaços de colcha de cama, entulhos de construção, papelões, garrafas de plástico e até roupas tomam as ruas. Lúcia Coelho alerta que é preciso seguir regras no descarte em geral. “Coleta domiciliar é responsabilidade da Prefeitura. Mas podas, entulhos ou mobiliário usado exigem um descarte adequado, que é de responsabilidade de quem produziu o lixo”, informa.
Quem descarta lixo na rua inadequadamente é enquadrado na lei municipal 5.530 de 17 de dezembro de 1981. “A pessoa tem 48 horas para se justificar perante a Emlurb, se não o fizer, a multa é de R$ 60,90 e pode ir até dez vezes esse valor”, salienta Lúcia.
Os chamados ‘grandes geradores’ de lixo, como empresas, precisam dar um destino adequado ao lixo produzido diariamente, por conta própria. “No site da Emlurb existe uma lista com prestadoras de serviço credenciadas para fazer essa coleta (ver serviço). Há cobrança de tarifa. Quanto ao lixo domiciliar, é essencial obedecer o calendário de coletas”, destaca Lúcia.
Há alternativas gratuitas para não poluir as ruas. Existem dois ecopontos em Fortaleza que recebem quantidades maiores de entulho e podas, desde que sejam respeitados limites de peso. Há ainda a opção de solicitar junto à regional responsável pelo bairro a visita de um caminhão que passará recolhendo móveis usados num dia previamente agendado.
O Povo




