
Presos da Delegacia de Capturas e Polinter (Decapol), no Centro de Fortaleza, realizaram um motim no início da noite de ontem. Policiais do Comando Tático Motorizado (Cotam) foram chamados para conter os detentos.
O motim começou por volta de 18 horas. Segundo o policial do Cotam que se identificou apenas como cabo Brito, a confusão atingiu três celas do pavilhão superior da delegacia. Conforme o cabo, os presos quebraram lâmpadas e canos da rede de esgoto, o que provocou alagamento das celas. Após a situação ser controlada, nove detentos foram transferidos para a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e Delegacia de Narcóticos (Denarc). Não houve feridos.
Inspetores da delegacia, que não quiseram se identificar, relataram que confusões provocadas pelos presos são corriqueiras na Decapol, devido à superlotação. “Não tem luz nas celas. Por isso, os presos estão usando velas. Isso pode provocar um incêndio. O local é quente. Quem está numa situação assim, quer fugir mesmo”, disse um inspetor. “Não temos nem extintor. Estamos na iminência de uma tragédia humana”, comentou outro policial.
Ainda segundo um policial, o local comporta 120 presos no andar superior, divididos em seis celas. Na parte inferior do prédio, há outros 25 detentos, totalizando 145 internos. Durante a confusão entre os presos, um dos internos, que se identificou como Antônio Nelson Alves, foi liberado. Descalço, trajando apenas uma bermuda e sem alvará de soltura, ele confirmou que o local não tem estrutura para comportar os presos. “Não tem energia e a gente dorme dentro de água”. Segundo ele, a água se acumula nas celas com o banho dos presos.
O delegado Elzo Moreira, que está em São Paulo, confirmou que a insatisfação dos presos gera tumultos recorrentes, em virtude da quantidade de internos, que está “extrapolada”. “A Delegacia de Capturas é de passagem de presos que devem ser enviados para unidades geridas pela Secretaria da Justiça. Como os presídios não oferecem vagas, ficamos com capacidade excedida”, explica o delegado.
Elzo Moreira garantiu que os problemas de falta de energia e acúmulo de água são pontuais e que os reparos na delegacia são feitos quando há necessidade. “Quando tem um problema de uma lâmpada que queimou, a gente chama um eletricista para consertar. Não existe isso de que está tudo escuro nem estragando água não”, disse o delegado.
Interdição
Em março deste ano, a Justiça havia determinado a interdição e transferência de presos da Decapol. Decisão do juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Paulo de Tarso Pires, ordenava que fossem feitas reformas no espaço e que os presos deveriam ser transferidos para local adequado em 60 dias. A decisão atendia requerimento do Ministério Público.
O Povo





