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Dilma demite ministro Patriota após episódio com senador boliviano

O ex-ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em entrevista (Foto: Jose Cruz/ABr)

O ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) deixou o governo após reunião com a presidente Dilma Rousseff na noite desta segunda-feira (26). O Palácio do Planalto anunciou como novo ministro Luiz Alberto Figueiredo, atual embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).

O motivo da demissão foi o episódio do senador boliviano Roger Pinto Molina, que estava asilado havia um ano na embaixada brasileira em La Paz e foi trazido para o Brasil em um carro oficial brasileiro, embora não tivesse autorização do governo boliviano para deixar o país.

Nota divulgada pelo Planalto diz que Dilma “aceitou hoje pedido de demissão do ministro Antonio de Aguiar Patriota e indicou o representante do Brasil junto às Nações Unidas, embaixador Luiz Figueiredo, para ser o novo ministro de Relações Exteriores”.

Na nota, Dilma “agradece” o trabalho de Patriota à frente do Ministério de Relações Exteriores e informa que ele será o novo representante do Brasil nas Nações Unidas. “A presidenta agradeceu a dedicação e empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a missão do Brasil na ONU”, diz o texto.

Luiz Alberto Figueiredo Machado, 58 anos, nasceu no Rio de Janeiro e é formado em direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ele ingressou no Itamaraty em 1980 e, no mesmo ano, iniciou atuação nas Nações Unidos como diplomata assistente. Durante a carreira diplomática, representou o Brasil em várias reuniões internacionais sobre mudança climática.

O encontro de Dilma com Patriota começou pouco antes das 19h e durou cerca de 50 minutos. Depois do encontro, a presidente e o ministro deixaram o palácio.

A cúpula do ministério passou o dia em reuniões para tratar da situação do senador e do diplomata Eduardo Saboia, encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz, que admitiu que organizou a operação que trouxe Molina para o Brasil em um carro oficial. O senador viajou 22 horas de La Paz a Corumbá (MS), onde pegou um jatinho e desembarcou em Brasília. Ele está hospedado na casa do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Em junho deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Itamaraty já tinham se posicionado contra ajuda ao senador boliviano Roger Pinto, que queria deixar a Bolívia rumo ao Brasil.

O Ministério Público da Bolívia planeja pedir a extradição de Molina, condenado a um ano de prisão no país por suposto crime de corrupção. Ele responde a outros 20 processos na Justiça boliviana (saiba como tramitará eventual pedido de extradição).

O fato de o governo brasileiro ter sido surpreendido pela chegada do senador contrariou a presidente Dilma. A presidente e Patriota só teriam sido informados da fuga quando o boliviano alcançou território brasileiro. Segundo a coluna Panorama Político, de Ilimar Franco, em “O Globo”,

Em entrevista ao Fantástico neste domingo (25), o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, encarregado de Negócios do Brasil na Bolívia, afirmou que foi dele a decisão de trazer o senador ao Brasil. “Tomei a decisão de conduzir essa operação, pois havia o risco iminente à vida e à dignidade do senador”, disse.

G1

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