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País é líder em conservação de florestas afirma Bolsonaro, em discurso a ONU

O presidente Jair Bolsonaro durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU — Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) falou sobre preservação ambiental durante discurso gravado para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, (22/set). Mesmo o País enfrentando queimadas constantes desde o ano passado na Amazônia, Bolsonaro afirmou que o Brasil é líder em conservação de florestas tropicais.

Entidades de meio ambiente contrariam as informações presentes no discurso do presidente. 

De acordo com dados da plataforma Global Forest Watch, o Brasil foi o que mais desmatou florestas tropicais primárias em 2019, totalizando 1 milhão e 361 mil hectares desmatados.

Equivale dizer que a cada seis segundos, um campo de futebol era destruído no ano. Em 2018, o País já tinha perdido 1 milhão e 347 mil hectares de florestas tropicais, conforme a plataforma.

O presidente também disse que o País preserva 66% da vegetação nativa. A informação é verdadeira, porém, incompleta. Como pontua o Observatório do Clima (OC), pelo menos 9% da vegetação preservada é secundária. “Ou seja, são áreas que já foram desmatadas e voltaram a crescer. Não estão, portanto, protegidas nem preservadas”, publica a organização.

O presidente Bolsonaro também comentou sobre o agronegócio. Parabenizou os produtores rurais por terem “trabalhado como nunca” e afirmou que apenas 27% do território brasileiro são destinados para agricultura e pecuária: “Números que nenhum país possui”, destacou. Segundo o Observatório do Clima, porém, o País tem 30% do território em agropecuária, a média mundial.

Desmerecimento das queimadas

O Pantanal já teve 22% (33.078 km²) de seu território consumido pelo fogo, conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A porcentagem equivale a cerca de 106 cidades de Fortaleza. O presidente Bolsonaro indicou que o fogo é normal em razão da temperatura. 

A mesma realidade é constatada na Amazônia. Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), publicada em abril de 2020, afirma que “a temporada de fogo de 2019 na Amazônia teve relação clara com o aumento do desmatamento e não com um clima mais seco”. 

Em relação ao fator de ignição das queimadas, o presidente disse que “o caboclo e o índio queimam seus roçados em área desmatada”. A Polícia Federal investiga, entretanto, cinco fazendeiros responsáveis pelas queimadas no Mato Grosso do Sul.

Em nota, o Observatório do Clima avalia o discurso de Bolsonaro como “calculadamente delirante”, de forma a “mais uma vez expor o País de forma constrangedora”. “Ao negar simultaneamente a crise ambiental e a pandemia, o presidente dá a trilha sonora para o desinvestimento e o cancelamento de acordos comerciais no momento crítico de recuperação econômica pós-Covid”, analisa a organização.

Com Informações: O POVO Online

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