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Paralisação dar resultado e Petrobras anuncia corte de 10% no diesel

PARALISAÇÃO CAMINHEIROS | A paralisação dos caminhoneiros segue pelo terceiro dia em todo o território nacional, ganhando força e já atinge alguns setores importantes da economia, como aeroportos, centrais de abastecimento e postos de combustíveis. Ontem, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou que vai reduzir o preço do diesel em 10% nas refinarias, por um período de 15 dias. Parente afirmou que “é uma medida de caráter excepcional. Não representa uma mudança de política de preço da empresa”. A redução anunciada representa queda de menos R$ 0,23 no litro do diesel nas refinarias.

“Na visão da Petrobras, esta negociação passa necessariamente pela discussão de reduções da carga tributária federal e estadual incidente sobre este produto, uma vez que representam a maior parcela na formação dos preços do combustível”, disse a companhia, em nota. A Abcam (Associação dos Caminhoneiros) pede uma diminuição entre R$ 0,40 e R$ 0,60 para que a mobilização seja encerrada.

Na tarde de ontem, um grupo de caminhoneiros realizou uma carreata pela Avenida Desembargador Moreira, complicando o trânsito naquela área da capital cearense. Eles desceram até a Praça Portugal fazendo um buzinaço e parando por alguns minutos em determinados pontos. Pararam por mais tempo na rotatória ali existente e, depois retornaram rumo à BR-116, congestionando ainda mais o tráfego na região, por ser perto das 17 horas, horário de saída de muitos funcionários de estabelecimentos comerciais ali situados.

Aeroportos
Seis aeroportos enfrentaram problemas de abastecimento ontem (23) podem ter voos cancelados. Administradoras alegam que os caminhões com combustível não estão conseguindo chegar devido à greve.

Em São Paulo, o aeroporto de Viracopos, o segundo maior em volume de carga, foi abastecido ontem e tem estoque para dois dias, até sexta (25).
O aeroporto internacional de Guarulhos, o maior do País, não deve sofrer os impactos desta greve, segundo a concessionária GRU Airport, porque tem um centro de armazenamento no local. Em Brasília, havia combustível disponível até às 18 horas de ontem. O aeroporto consome diariamente 20 caminhões de querosene de aviação. Uma escolta tentava garantir a chegada de cinco caminhões ao aeroporto.

​Em Recife e Goiânia, havia combustível suficiente até as 20 horas, segundo a Infraero. Até as 15 horas de ontem, Aracaju operava sem combustível, mas uma carga chegou ao aeroporto e a situação está normalizada até a amanhã. Enquanto isso, Curitiba, Porto Alegre, Confins, Foz do Iguaçu, Maceió e Cuiabá já devem enfrentar problemas a partir de hoje.
Outro setor que já está sentido os reflexos da paralisação dos transportes rodoviários é o de alimentos, em especial nas Ceasas de vários estados brasileiros. No Rio de Janeiro, por exemplo, ontem um saco de batatas que geralmente é vendido por cerca de R$ 75,00 – por causa da greve – ultrapassou a casa dos R$ 265,00.

Montadoras já percebem os efeitos da paralisação
O impacto da greve nacional dos caminhoneiros, que completou três dias ontem, já prejudicou a produção de 16 fábricas de carros e caminhões, conforme balanço da Anfavea, entidade que reúne as montadoras. Desde terça-feira (22), já vinham paralisadas as plantas da Ford, em Camaçari (BA) e Taubaté (SP), e da General Motors, em Gravataí (RS) e São Caetano (SP). Com a continuidade da greve, no entanto, o problema se agravou muito. ​Ontem, mais 11 fábricas pararam pelo menos um turno. São elas: Betim (Fiat), Porto Real (PSA Peugeot Citröen), São Bernardo (Ford), Ponta Grossa (DAF Caminhões), Piracicaba (Caterpillar), Curitiba (Volvo), São José dos Campos (GM) e quatro plantas da Volkswagen -São Bernardo do Campo, São Carlos, São José dos Pinhais e Taubaté.

A fábrica da Honda em Sumaré também deve interromper suas atividades, hoje. “Se a situação não se resolver nos próximos dois dias, teremos praticamente todo o setor paralisado”, diz Antônio Megale, presidente da Anfavea. O executivo ainda não sabe precisar qual será o tamanho do prejuízo provocado pela greve, mas acredita que tem potencial para reduzir não só a produção mensal de veículos, mas também as vendas internas e as exportações. Há relatos de milhares de carros que não conseguem chegar aos portos.
O setor automotivo, que representa 4% do PIB e 20% da indústria, é muito dependente do transporte por caminhões não só para o recebimento de peças para as linhas de montagem, mas também para o desembaraço de carros e caminhões prontos para as concessionárias e para a exportação. A maior parte das montadoras de veículos está paralisada por falta de peças, mas também já ocorre um efeito em cascata. Fábricas de motores e transmissões – como Taubaté (SP), da Ford, ou São Carlos (SP) da General Motors​ – também acabam parando porque não conseguem entregar o que produzem.

Os caminhoneiros estão em greve por conta do reajuste do preço do óleo diesel, que passou a subir com vigor após a guinada das cotações do petróleo no mercado internacional e a mudança na política de preços da Petrobras, que deixou de absorver o impacto após os prejuízos que sofreu no governo Dilma.

Fonte: O Estado/CE. 

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