Vi o policial mirar e atirar na minha cara, diz repórter ferida no olho

Ferida no olho por uma bala de borracha disparada pela polícia durante os protestos de quinta-feira (13), a repórter...

Giuliana Vallone, repórter da Folha, foi atingida por um disparo de bala de borracha da tropa de choque da Polícia Militar durante a manifestação; Giuliana subia a rua Augusta registrando o protesto quando foi atingida (Foto: Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo)
Giuliana Vallone, repórter da Folha, foi atingida por um disparo de bala de borracha da tropa de choque da Polícia Militar durante a manifestação (Foto: Diego Zanchetta/Estadão Conteúdo)

Ferida no olho por uma bala de borracha disparada pela polícia durante os protestos de quinta-feira (13), a repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, disse nesta sexta-feira (14) que seu globo ocular não sofreu danos e que ela já consegue enxergar com o olho afetado. Segundo ela, a bala que a atingiu foi disparada sem que ela ou qualquer manifestante tivesse provocado a polícia.

“Vi o policial mirar em mim e em meu colega e atirar na minha cara”, escreveu ela em seu perfil no Facebook.

Ao contar como se feriu, a jornalista disse que estava fora do principal palco de confrontos. “Já tinha saído da [rua] Consolação, onde já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência.” Giuliana diz que estava na rua Augusta, onde havia poucos manifestantes, e com identificação da “Folha” quando foi atingida.

Sobre seu estado de saúde, Giuliana afirma que escapou de uma lesão permanente porque seus olhos não estavam descobertos. “O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.” E que, apesar de estar inchada e com pontos na pálpebra, já consegue enxergar com o olho afetado, “o que não acontecia quando cheguei aqui (ao hospital).”

“A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada”, escreveu ela em seu perfil no Facebook.

O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, também foi atingido por uma bala de borracha no olho e corre o risco de perder a visão. Ele está internado no hospital Nove de Julho.

O quarto protesto

Com o endurecimento da repressão por parte da Polícia Militar, o quarto ato contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, realizado na noite desta quinta-feira (13), terminou sendo o mais violento da série de manifestações ocorridas na cidade nos últimos dias.

Segundo a delegada Victória Lobo, titular da 78º DP (Jardins), 241 pessoas foram detidas no protesto e encaminhadas para essa delegacia, para o 1º DP (Liberdade) e para o 4º DP (Consolação).

Ao menos quatro foram autuadas (três por porte de entorpecentes e um por resistir à prisão), assinaram um termo circunstanciado e vão responder a processos em liberdade. Outras cinco foram indiciadas por formação de quadrilha e danos ao patrimônio –crimes inafiançáveis– e vão continuar presas.

Com os manifestantes, a polícia diz que apreendeu facas, estiletes, tesouras, martelos, coquetéis-molotóvs, machadinha, aerosol, garrafas de álcool, tinta e sprays e uma pequena quantidade de maconha. Celulares, câmeras fotográficas e uma garrafa de vinagre também foram apreendidos.

Cerca de 40 pessoas foram detidas antes mesmo de o protesto começar. Antes do início do ato, manifestantes e jornalistas que carregavam vinagre –como o repórter Piero Locatelli, da ‘Carta Capital’ para reduzir os efeitos de bombas de gás lacrimogêneo foram detidos, sob a alegação da PM de que o produto pode ser usado para fabricar bombas caseiras.

Segundo o Movimento Passe Livre, que organizou a manifestação, pelo menos cem ficaram feridos. Entre os feridos, sete são jornalistas da Folha de S.Paulo. Repórteres do Terra e da Rede Brasil Atual foram agredidos com cassetetes durante a cobertura.

Antes do protesto, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que não iria tolerar atos de vandalismo. Na manifestação de hoje, a PM mobilizou grande aparato, com tanques blindados, helicópteros e até a cavalaria. Além da Tropa de Choque, policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e da Força Tática atuaram na repressão, totalizando efetivo de 900 homens.

Segundo relato da repórter do UOL, Janaina Garcia, a Polícia atirou indiscriminadamente, contra manifestantes, transeuntes e jornalista a trabalho. “Não havia saída pela via nem pelas transversais, todas cercadas pelo Choque”.

UOL

LEIA TAMBÉM