
Comemorada de 2 a 13 de junho, a festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio movimenta Barbalha (575 km de Fortaleza), na região do Cariri, com cortejos, quermesses e missas. Em 2013, os preparativos para o evento começaram diferente.
Criada pela deputada Fernanda Pessoa (PR), a Lei 96/2012 reconheceu Barbalha como a capital cearense dos festejos para Santo Antônio.
A expectativa do secretário de Cultura do município, Antônio Luna, é de que circulem cerca de 450 mil pessoas durante os dias de festividade. Luna informa que, nesse período, será inaugurado o museu da Festa do Santo Antônio. O livro Sentido da devoção: festa do carregamento, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), será lançado.
Luna informou ainda que a programação deste ano conta com cortejos de mais de 60 grupos folclóricos, bandas e shows religiosos.
O tronco
Os moradores de Barbalha enfeitaram as ruas com bandeiras de São João e ornamentos religiosos. O cortejo do pau da bandeira marca o início das festas. O tronco, carregado do pé da serra até a igreja matriz, é de uma árvore jatobá de 23 metros de altura e de duas toneladas.
O padre Cícero Alencar, pároco da igreja, diz que o louvor começa no dia 31 e vai até o dia 13 de junho. Segundo Alencar, “o que torna a festa mais famosa são as mulheres querendo pegar no pau da bandeira para conseguirem se casar”.
A reza para que os solteiros se casem é feita no dia 1º/6, na Noite das Solteironas. O grupo de solteiras, comandado pela advogada Socorro Luna, vende um kit composto por uma medalhinha do santo, uma oração e um pedaço da casca da árvore do pau da bandeira.
Caminhada
Imagine-se em uma caminhada de sete quilômetros. Sobre suas costas, um tronco de jatobá que pesa duas toneladas e mede 23 metros de altura. Apesar de ser levado por 150 homens, o pau da bandeira demora seis horas para chegar ao destino final, a igreja matriz de Santo Antônio, em Barbalha, no Cariri. Para realizar essa peregrinação, o capitão do pau da bandeira, Rildo Teles, diz que é preciso ter fé.
Para ele, a escolha dos carregadores leva em conta a fé em Santo Antônio. “Os devotos têm o dever de manter a cultura dessa festa.” Capitão do pau desde 2001, Rildo explica que o candidato a carregador acompanha a procissão do pau em um ano e leva o tronco apenas no outro.
Segundo o capitão, a escolha da árvore passa pelo acompanhamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). A jatobá foi retirada da mata nativa, fora da Área de Proteção Ambiental (APA) e escolhida devido ao tronco retilíneo, longo e com peso que facilite a condução durante o cortejo. Rildo diz que, como compensação pela retirada da árvore, autorizada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 100 mudas de diversas espécies são plantadas no lugar.
O Povo





