JUAZEIRO: “Boom Imobiliário” preocupa comerciantes e muda aspecto do centro

De desconhecida a vilã de muitos comerciantes. A expressão “Boom Imobiliário” vem sendo cada dia mais falada e vivenciada...

existem 94 prédios “parados” no principal logradouro do Centro (Rua São Pedro). (Foto: Chinês/Michel Dantas/Agência Miséria)
existem 94 prédios “parados” no principal logradouro do Centro (Rua São Pedro). (Foto: Chinês/Michel Dantas/Agência Miséria)

De desconhecida a vilã de muitos comerciantes. A expressão “Boom Imobiliário” vem sendo cada dia mais falada e vivenciada em uma das cidades que mais cresce no interior do Estado. Juazeiro do Norte vive, economicamente, seu melhor momento e a economia concentrada em sua grande maioria nas Romarias agora divide espaço com grandes empreendimentos imobiliários, chegada de fábricas e indústrias nacionais que, junto aos comerciantes locais bombeiam e impulsionam o desenvolvimento da Terra do Padre Cícero.

No coração de Juazeiro, a explosão dos preços dos alugueis e a alta rotatividade das lojas exemplifica com fidelidade o atual momento. A cada renovação de contrato, um novo valor. E ainda assim demanda continua a ser plenamente correspondida. O comerciante Gilberto Pereira, com loja própria na Rua São Pedro há 12 anos explica que a “cara” do centro mudou bastante nos últimos cinco anos.

“Atualmente a rotativa está bem maior. Os comerciantes buscam alugueis mais em conta e que se adequem com seus respectivos negócios, porém, os preços estão cada vez maiores e a procura ainda é grande, mesmo com a recente baixa no comércio”.

Já para Ednaldo, comerciante ha sete anos, a especulação tem sido “um problema a mais na batalha diária”. Nos últimos três anos, o aluguel subiu 140%, passando de R$ 1.600,00 em 2010 para R$ 3.600,00 em 2013. A medida encontrada por Ednaldo foi despolarizar seu segmento, que até então era especificamente no ramo de fotografias.

“Em Dezembro do ano passado pagava R$ 2.800,00 [de aluguel], no início deste ano subiu para R$ 3.600,00. Se eu não ficasse, já teria outros interessados. A grande procura está fazendo com que os preços cresçam assustadoramente. O jeito foi buscar adaptações, incrementei novos itens na loja, como por exemplo, materiais eletrônicos e acessórios de celulares que estão em alta”, explica.

Rotatividade

Levantamento revela existir 94 prédios em desuso no principal logradouro do Centro (Rua São Pedro). Destes, 28 estão disponíveis para alugar, seis com anúncios de venda e outros 60 encontram-se fechados e/ou em reformas. De acordo com a imobiliária que administra boa parte destes imóveis, apesar da crescente nos valores a procura ainda é alta, e o tempo de inatividade desses prédios não ultrapassa dois meses.

Invasão asiática

O que outrora era uma realidade apenas para capital cearense, dia a dia vem se consolidando em Juazeiro. Placas com letras do alfabeto asiático e os característicos olhos puxados denunciam a chegada dos orientais ao comércio juazeirense. Somente na Rua São Pedro 12 lojas já foram instaladas. Os segmentos diversificados implantados por eles e os preços em sua grande maioria atrativos são o chamariz quase perfeito para atrair a massa consumidora.

Entretanto, concomitante ao suposto sucesso dos asiáticos surgi à desconfiança e olhares atentos por parte dos comerciantes locais. “Não credito apenas a eles [orientais] as fracas vendas. É o comércio como todo, após as festas de fim de ano é natural que dê uma queda, mas, a fiscalização tem de está bastante atenta para que a concorrência não seja desleal conosco”, analisa Ângela Oliveira, se referindo aos impostos pagos como as leis preconizam.

Mês das Mães

Com o antagonismo de momentos em que os comerciantes vivem, vendo os preços dos alugueis disparar e as vendas estagnarem, a chega do mês de Maio é visto como apoteose. Este é considerado, por muitos, o período que as vendas são alavancadas e se contemporiza ao longo do trimestre, estação das férias e festas municipais.

O comercio informal segue as mesmas expectativas e a estimativa para este ano é de crescimento. “Esperamos um aumento de 10 a 15% em relação ao mesmo período do ano passado”, diz o vendedor Juciê da Cunha que equipara as boas vendas no Mês das Mães ao fim do ano. “São duas datas bastante fortes, seguida pelo dia da Criança, são os três principais meses do ano para o comércio”, finaliza.

Agência Miséria

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