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Mostra Sesc de Culturas Cariri 2019 inicia hoje (8) com mais de 300 atividades gratuitas.

Evento segue até terça-feira (12) com multiplicidade de ações, incluindo presença de Gal Costa, Nando Reis e fartura de grupos de tradição popular.

Foto: Mostrasescdeculturas.com

Quem já visitou sabe bem: só se conhece os encantos e potenciais da Chapada do Araripe quando se está lá, adentrando no terreiro de um mestre, conhecendo um museu orgânico. Ouvindo histórias e sendo conduzido por elas. Ou permitindo que a visão passeie pela rica geografia desse território localizado no sul do Estado, compreendendo a área conhecida como Região do Cariri. Lá, grutas, fontes naturais, além de sítios paleontológicos e arqueológicos, permitem imersão única em nosso passado-presente.

Mas é quando adentramos no tecido humano, apequenado sob a imponente paisagem, que compreendemos o porquê de esse chão ser considerado distinto para tantos. A vasta cultura popular pode ser observada desde o artesanato até à diversidade de expressões artísticas, brotando nomes e trabalhos cuja amplitude há tempos rompeu fronteiras: ganhou o mundo. Um borbulhante caldeirão criativo que a Mostra Sesc de Culturas Cariri, em mais uma edição, faz questão de trazer a público.

Iniciando nesta sexta-feira (8) e seguindo até terça (12), o evento completa 21 anos de contato com a região seguindo a mesma proposta com a qual iniciou os trabalhos: promover a fruição no campo das artes por meio do intercâmbio entre diferentes agentes, grupos e linguagens.

Os números confirmam a intensidade da ação. Mais de 300 atividades gratuitas serão realizadas em 23 cidades do Cariri, envolvendo mestres da cultura, brincantes, artistas locais e de outros estados. A fartura, além de quantitativa, é sobretudo abundante em talentos e práticas. Não à toa, shows, espetáculos teatrais, ações formativas e iniciativas de conscientização ambiental acontecerão de forma a abraçar novas maneiras de fazer e consumir cultura.

POTÊNCIAS

O início do evento segue os moldes das edições passadas, com o cortejo dos grupos de tradição passando pelas ruas de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Logo mais, às 20h, no Parque de Exposição Pedro Feliciano Cavalcante, no Crato, o show de abertura conta com a presença da baiana Gal Costa, um dos principais ícones da Música Popular Brasileira. Na mesma noite, será possível também conferir a apresentação das ex-participantes do The Voice Brasil, Ana Ruth e Heloísa Ribeiro.

Quanto ao encerramento, no dia 12, ficará por conta de Nando Reis, que subirá ao palco no Largo da Matriz, em Juazeiro do Norte. O cantor e compositor entoará canções da turnê “Esse Amor Sem Preconceito”, em que interpreta releitura das canções de Roberto Carlos.

Entre início e término, as atividades culturais abarcam mais de 70 trabalhos, selecionados por curadoria, nas áreas de Literatura, Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Audiovisual. Entre as novidades, está um olhar especial sobre questões que perpassam o feminino e temáticas como a imigração, conferidas ao largo de vários espetáculos e ações.

Os artistas participantes de cada núcleo são provenientes de 16 estados do País, tais como São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraíba, fazendo circular as especificidades criativas de cada canto brasileiro.

Caso do Pensando Verde – que, pela terceira vez, distribuirá mudas às pessoas em troca de um livro ou brinquedo – e da doação de alimentos não perecíveis nos shows de abertura e encerramento da mostra, além de em outras atividades. O montante de produtos será distribuído para as entidades que integram o programa Mesa Brasil.

A preocupação com a acessibilidade também merece destaque. Novamente, espetáculos livres e mais 12 atividades terão tradução em libras. A otimização de espaços confortáveis para cadeirantes igualmente respeita esse princípio.

CONEXÕES

Há mais. A inauguração do museu orgânico da Mestra Zulene, no Crato, acende nova chama sobre a preservação e valorização da memória. No mesmo compasso, artistas como Curumin e Siba, além de Yannick Delass – compositor, cantor e guitarrista original da República Democrática do Congo e Cidadão São-tomense – e Mestre Luiz Paixão, de Olinda, devem nos conectar a raízes ancestrais.

O mesmo acontece no segmento literário, em que histórias da tradição oral indígena e africana ocuparão, com maior propriedade, os espaços. Já o entrançado entre pintura e bordado modelado pelas mãos da cearense Andréa Dall’olio, poderá ser visto na Galeria de Arte do CCBNB, constituindo boa opção para imergir numa das mais tradicionais expressões criativas de nosso Estado.

Considerada um divisor de águas na comunidade artística da região, a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, também compõe a programação do evento, refletindo sobre discussões de gênero.

Toda a gama de trabalhos aponta para vários oportunos caminhos. Um deles é transpor a barreira entre o tradicional e o contemporâneo, mirando na convivência harmônica de elementos tão vastos em si. O outro abre visões e pensamentos acerca do próprio local onde vão acontecer as atividades.

A Chapada do Araripe, por própria iniciativa do Sesc, que realizou seminário sobre o assunto e fomenta campanha, é encarada como território cujas peculiaridades têm potência para se tornar Patrimônio Mundial.

Por: Diário do Nordeste

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