Dados da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará apontam que o índice de partos cesáreos no Cariri está acima do estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 15%. A realidade está presente, inclusive, em nível nacional. Nos últimos três anos, a média de cesareanas no Cariri ultrapassa os 60%. Se levado em consideração o Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os índices de partos cesáreos chegam a 84,6% na rede privada de saúde e a 40% na rede pública.
Conforme os números do Sistema de Informação Sobre Nascidos Vivos (Sinasc) fornecidos pela Sesau, as regionais de saúde do Cariri registraram 35.055 nascimentos de crianças vivas. Os números dizem respeito ao período entre o início de 2013 e o dia 1º de julho de 2015. Destes, 22.035 foram através de partos cesáreos, o que representa um índice de 62,85%. A maior parte dos registros foi feita na regional de Juazeiro do Norte, que compreende 16.057 do total de nascimentos registrados.
Para contornar a situação, as medidas anunciadas no início do ano pela ANS, para incentivo ao parto normal, estão em vigor também nos planos de saúde. De acordo com Shairon Alexandre, gestor de contas médicas, as mudanças incluem o acompanhamento mais intensificado das gestantes. Agora, os médicos e as operadoras deverão apresentar documentos como o partograma ou relatório detalhado da gestação. “Dentre as políticas da resolução, vem também o cartão da gestante. A operadora de planos de saúde é obrigada a fornecê-lo como complemento de informações para a gestante”, explica.
A resolução já está valendo. Com ela, o acesso à informação por parte das consumidoras é ampliado. Elas poderão solicitar às operadoras os percentuais de partos normais e cesáreos realizados pelo médico ou estabelecimento. Caso não haja o retorno das informações em 15 dias, uma multa de R$ 25 mil será aplicada. Conforme acredita Shairon, as medidas gerarão resultados satisfatórios de médio a longo prazo. “É um trabalho de conscientização. Hoje, muitas mulheres preferem o parto cesareano porque não querem sentir dor.
Isso é muito cultural. A partir do momento em que houver uma divulgação melhor, uma conscientização melhor das mãezinhas, o parto normal vai acontecer com frequência dentro das instituições hospitalares”, afirma Shairon.
Como destacou a enfermeira-coordenadora, Allia Mabel, são inúmeros os benefícios encontrados junto ao parto normal. O bebê segue o processo natural, onde, a não ser que seja prematuro, nasce na hora certa. Para a mãe, são menores as chances de complicação e sua recuperação se dá de forma mais rápida.





