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SANTANA DO CARIRI: Geossítio ainda aguarda obra do Pontal de Santa Cruz

Apenas ferragens são vistas no lugar da cruz que desabou desde outubro
(FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS/DIÁRIO DO NORDESTE)

Desde outubro do ano passado sem o principal símbolo que a fez conhecida, o Pontal da Santa Cruz, em Santana do Cariri, um dos mais visitados espaços turísticos do Cariri, ainda continua com as ferragens no lugar da cruz de metal. O ícone de 20 metros de altura e 10 metros de extensão desabou em virtude do desgaste com a ferrugem, por falta de manutenção. O local também é considerado espaço de culto religioso e, de 5 a 15 de setembro, será iniciada a festa religiosa da localidade do São Bom Jesus e as novenas acontecem numa pequena capela no Pontal. Uma preocupação para os moradores.

Além das ferragens não terem sido retiradas do local, a área tem oferecido risco às pessoas que visitam o Pontal, num dos espaços mais altos da região. Uma plataforma de metal ruiu e ficou um buraco aberto, que não foi sequer isolado com uma cerca de proteção, oferecendo riscos principalmente às crianças que visitam a área. A manutenção da cruz era prevista pela Prefeitura local.

Segurança

Segundo o secretário de Cultura e Turismo de Santana do Cariri, Maurício Matos, a festa tem uma grande participação e já solicitou meios que possibilitem a segurança da população. Ele destaca que a Secretaria das Cidades, do Estado do Ceará, está responsável pelo projeto de recuperação da cruz. O pré-projeto já chegou a ser apresentado junto à Secretaria mas, até o momento, não teve uma confirmação de quando serão iniciadas as obras de recuperação.

O Pontal da Santa Cruz é também um dos nove geossítios, do Geopark Araripe. Segundo a assessoria da Secretaria das Cidades, que tem destinado recursos para a melhoria dos geossítios, por meio do Banco Mundial, o projeto depende da aprovação do Bird para ser licitado. A expectativa era de que a finalização desse processo ocorresse ainda este mês.

Segundo o secretário, durante a análise do pré-projeto foi sugerido um reforço na estrutura metálica. Ele ainda disse que durante a obra da nova cruz, solicitou um reforço da área, com maior segurança no mirante, de onde se contempla área significativa da Chapada do Araripe. Em meio a todo o verde da Chapada e as pedras do pontal, uma das sugestões da administração foi de que houvesse um revestimento de madeira na cruz, para não se tornar tão diferente da paisagem natural.

Tridimensional

Além disso, está previsto na obra uma iluminação mais adequada para que o Pontal seja avistado da cidade de Santana do Cariri. Ele também disse que o novo projeto tem uma perspectiva tridimensional.

“Agora, podemos dizer que a população está inconformada com a demora na recuperação do espaço, que é considerado o segundo ponto turístico de nossa região. É uma tristeza, principalmente para os filhos de Santana”, afirma o secretário.

Mesmo assim, as pessoas, segundo Maurício, não estão deixando de ir visitar o espaço, já que é um dos principais atrativos turísticos e religiosos.

A corrosão, uma das causas do desabamento da cruz, também era vista na base da plataforma do mirante. A 750 metros acima do nível do mar, com 17 toneladas, a cruz metálica foi montada com placas de aço inox há mais de 10 anos, para marcar a passagem do século.

A maior parte do símbolo caiu sobre a plataforma do mirante, no alto da Chapada do Araripe, onde as pessoas normalmente ficam para contemplar a paisagem panorâmica da serra, num ângulo de visão de mais de 200 graus. O local é um dos espaços de melhor infraestrutura de visitação, na “Capital da Paleontologia”, com infraestrutura de restaurante e estacionamento, além de parque infantil.

O desabamento da cruz aconteceu a pouco mais da meia-noite, horário que não havia ninguém na área. Os moradores da Vila do Pontal ficaram assustados com o barulho causado pela queda, e muitas pessoas chegaram a ir ao local para verificar o que tinha acontecido. O lamento foi geral.

Conservação

O coordenador do Geopark Araripe, Idalécio Freitas, disse que a manutenção do monumento estava a cargo da administração municipal. O Pontal está dentro uma Unidade de Conservação Municipal. Ele disse que não foi por falta de alerta, inclusive sabia o que estava acontecendo. Ele disse que a corrosão estava muito avançada e já chegava a ser vista por fora da cruz.

O mirante do Pontal também costuma receber visitantes à noite. Por sorte não havia ninguém na plataforma. Moradores como Augusto Pereira lamenta que durante todos esses meses não tenha iniciado sequer a obra de recuperação, com um dos principais símbolos da região.

A área sinalizada com placas e totens descritivos informa sobre a história do local. Algumas dessas sinalizações trazem os versos do poeta Maranhão, que destacam exatamente a meia-noite do badalar dos sinos, quando a cruz foi fincada. Destaca a dimensão histórica do lugar.

Diário do Nordeste

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