Agricultura do Ceará perde 68% da safra em 2013

As chuvas ocorridas no primeiro semestre deste ano no interior do Ceará foram importantes para a segurança alimentar dos...

As chuvas ocorridas no primeiro semestre deste ano no interior do Ceará foram importantes para a segurança alimentar dos agricultores. De acordo com o diretor-técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Walmir Severo, as precipitações mais intensas foram registradas em junho e julho, período considerado fora de época para a agricultura.

“Em termo de safra, é ideal que chova em março e abril. Em 2013, as chuvas foram mais recorrentes em junho e julho, o que não quer dizer que os agricultores tenham desistido do plantio. Muitos plantaram e colheram pouco, mas isso tem importância em termo de segurança alimentar. Você planta um pouco de feijão, colhe e alimenta a família por meses”, explica.

A perda da safra do estado foi, em média, de 68%. Isso significa que sertanejo pensou que colheria 100 grãos, mas colheu apenas 32, por exemplo. “O agricultor já veio de uma seca histórica, que foi a de 2012. E, infelizmente, esse ano, o período de março foi tão grave quanto o ano passado”, comenta.

A redução foi forte no plantio de mandioca. Segundo Severo, o motivo para o decréscimo é o fato de os agricultores terem utilizado parte da área da planta para consumo dos animais em 2012 e, como consequência, faltou mandioca para o plantio em 2013.

Situação da pecuária

O impacto da falta de chuvas na pecuária foi menor do que na agricultura. Em 2012, a mortalidade de bovinos foi de 5%. “Se você considerar os 2,7 milhões de bovinos, o número acaba sendo expressivo. Cerca de 13,5 mil perdas. Mas se pensar no rebanho em termo de economia, não é tão expressivo”, afirma.

O comum é que a mortalidade do rebanho seja entre 2% e 3%. Conforme o diretor-técnico, as mortes são localizadas e dependem do agricultor. Em alguns locais mais críticos, a mortalidade é intensa, seja porque não tem reserva de água ou porque não há reserva de forragem (alimento para o gado).

“Em relação a ovinos e caprinos, não tivemos mortalidade considerável, mas houve redução de 25% do rebanho. Isso porque os agricultores apressaram a venda, que a gente chama de descarte, já que o preço da carne que chega ao atravessador aumentou de R$ 3,5 para R$ 5”.

Expectativa

Apesar das perdas, Severo acredita que o segundo semestre deve ser positivo para os agricultores. “A produção de forragem aumentou, porque as chuvas estão finas e distribuídas. Para ser sincero, nunca vi tanta chuva no mês de julho no Sertão”. O problema que deve ser enfrentado nos próximos meses é de falta de água para irrigação.

Investimentos e gastos em agricultura

Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), de junho de 2012 para junho de 2013, foram gastos R$ 4,7 bilhões no Ceará. Os investimentos foram realizado em três vertentes: Segurança Hídrica (R$ 1,1 bilhões); Segurança Alimentar (R$ 103 milhões); Transferência de Renda (R$ 3,5 bilhões).

Na questão de segurança hídrica, o dinheiro foi investido na criação limpeza e recuperação de poços profundos de 35 municípios, além da construção de cisternas. Também foram implantados sistemas de abastecimento de água no estado.

Quanto à segurança alimentar, o dinheiro foi gasto em projetos como a implantação de 131 casas de farinha, programa distribuição sementes e Projeto Leite Fome Zero. Já na transferência de renda, foi investida verba em bolsas (estiagem, família etc), na Garantia Safra, no crédito emergencial do Banco do Nordeste e outros recursos.

Açudes do Ceará

Mesmo tendo auxiliado a agricultura, a temporada de chuvas não beneficiou a situação dos açudes do Ceará. Segundo o assistente da Diretoria de Operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Gianni Lima, o estado vem atravessando o pior triênio da sua história em relação ao aporte hídrico.

“No início de 2013, as 12 bacias hidrográficas acumulavam 66,18% da capacidade total do estado. Hoje a acumulação é de 43,58%. Essa queda é representada principalmente pela falta de chuvas, pelo alto índice de evaporação e pelo consumo”, disse.

Além disso, para o segundo semestre de 2013, com o final da estação de chuvas, a Cogerh espera que o volume dos reservatórios tenda a reduzir. “Alguns reservatórios podem secar antes mesmo do final do ano. Estão entre estes o açude Parambu, que abastece o município de Parambu, São Domingos II, que abastece Caririaçu, Farias de Souza, que abastece Nova Russas, São Mateus e Souza, ambos reservatórios que abastecem Canindé”.

Mesmo assim, o órgão ressalta que nenhum desses municípios terá o abastecimento hídrico interrompido, já que está sendo realizado uma série de ações emergenciais, “entre as quais estão a construção de adutoras de engate rápido, a perfuração de novos poços e a ampliação do programa de carro-pipa”.

Atual situação

Segundo a Cogerh, atualmente o estado conta com um açude sangrando, dois com volumes acima de 90% e 64 com volumes inferior a 30%. Além disso, não há previsão que outros açudes voltem a sangrar em 2013.

O açude que transbordou foi o Tijuquinha, localizado em Baturité. Já os dois com mais de 90% são: Curral Velho, em Morada Nova, com 98% cheio; e Gavião, em Pacatuba, com 93% do volume com água.

Tribuna do Ceará

LEIA TAMBÉM