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Chuvas de maio favorecem pastagens no sertão cearense

Rebanhos tentam recuperar a falta de alimento provocada pela seca e já começam a pastar em áreas com pequena vegetação (FOTO: HONÓRIO BARBOSA/DIÁRIO DO NORDESTE)

Neste mês, a ocorrência de chuvas isoladas tem beneficiado o surgimento de pastagem em várias áreas do sertão cearense, aliviando as dificuldades de alimentação do rebanho bovino, ovino e caprino. As precipitações tardias não favorecem a agricultura de sequeiro (aquela que depende exclusivamente de chuva), pois a quadra invernosa (fevereiro a maio) está chegando ao fim.

O Ceará enfrenta o segundo ano seguido de seca. A estiagem é considerada a pior dos últimos 50 anos. Os criadores que enfrentam enormes dificuldades para manutenção do rebanho, encontram uma pequena trégua na crise que se abateu na pecuária estadual. Milhares de animais já morreram no campo. Apesar da baixa que atinge o setor agropecuário, os produtores rurais afirmam que as chuvas, mesmo isoladas, verificadas neste mês em todas as regiões do Estado, modificaram o cenário.

As áreas de pastagem agora estão verdes. No campo, o gado pasta e é hora de combater a erva daninha. “A situação melhorou muito porque não havia nada para o gado comer”, disse o produtor, Miguel Souza, da localidade de Santa Rosa, zona Rural de Iguatu. “O quadro era de desespero e os bichos estavam morrendo de fome”.

Os relatos de morte de animais é comum a todos os criadores. Alguns chegaram a perder metade dos animais. Outros venderam a preço bem abaixo para evitar um prejuízo total. “Essas chuvas trouxeram um alívio de três meses”, disse o criador José Machado. “Foi uma bênção para todos nós”.

Agora os criadores esperam a ampliação da oferta de milho do Programa Venda Balcão da Conab e a distribuição de grãos por parte do governo do Estado, que deve receber 30 mil toneladas doadas pelo governo federal.

Quem tem área favorecida com irrigação já começou o cultivo de feijão e de forrageiras (sorgo e capim). “Estamos aproveitando as chuvas que deixaram a terra bem molhada e pronta para o plantio”, disse o produtor, Francisco Pereira, da localidade de Umburana, zona rural de Iguatu. “Assim a gente reduz o tempo de irrigação e o custo de consumo de energia elétrica”.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a média histórica para o mês de maio em todo o Ceará é de 88 milímetros (mm). Até ontem, dia 20, o índice médio geral no Estado estava 12% abaixo da média. Há, portanto, possibilidade dessa média ser alcançada até o próximo dia 31, conforme o órgão.

No período de 1º a 20 de maio de 2012, a situação foi bem grave, com um desvio negativo de 88% da média do Estado. “Se olharmos apenas para o mês de maio, verificamos que houve um acréscimo nas chuvas, em comparação com os meses anteriores”, observou o meteorologista da Funceme, Raul Fritz. “A quadra invernosa vai ficar bem abaixo da média, mas essas chuvas ocorridas ao longo deste mês favoreceram a pecuária”.

As precipitações ocorridas nos últimos dias foram favorecidas por formação de sistemas secundários: temperatura de águas superficiais do Oceano Atlântico nas proximidades da costa do Ceará, pressão atmosférica, umidade e ventos. Esses fatores contribuíram para a formação de nuvens de chuvas isoladas no Estado.

Para as próximas 72 horas, chuvas isoladas devem ocorrer com predominância no Centro-Norte do Ceará. A faixa litorânea tende a ser a mais favorecida. “Serão chuvas rápidas de reduzida intensidade, mas podem ocorrer precipitações intensas a exemplo do que ocorreu no sábado passado”, observou Raul Fritz.

Na madrugada de domingo passado, dia 19, houve registro de intensas chuvas na região Norte, na faixa litorânea. Ao todo, choveu em 108 municípios. As maiores precipitações foram em Itarema (146mm); Itapipoca (144mm); Amontada (142mm); Paraipaba (125mm); Trairi (112) e São Gonçalo (100mm).

Na madrugada e manhã de hoje, a Funceme registrou chuva em apenas 22 municípios e a maior ocorreu em Massapé (46mm). Houve ainda precipitações em Santana do Acaraú (41mm); Morrinhos (21mm); Miraíma (19mm); Paraipaba (19mm); e Senador Sá (18mm).

Para o fim deste mês e início de junho, parte da faixa litorânea e da região Jaguaribana pode ser beneficiada por ocorrência de chuva por influência do sistema conhecido por distúrbio leste. “São precipitações que ocorrem com regularidade nesse período do ano no litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e que, às vezes, chega até o Ceará de forma moderada ou mesma intensa”, observou Raul Fritz.

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema causador de chuvas no Ceará, permanece afastada, no Norte, um pouco acima do Equador e não tem contribuído para formação de nuvens de chuvas no Estado. As condições de temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico também são desfavoráveis, por isso, a quadra invernosa está bem abaixo da média.

Ao final, deve apresentar um quadro de estiagem significativa, que ocasionou prejuízos para a economia rural, provocando queda na produção de grãos, redução do acúmulo de água nos reservatórios e morte de animais bovinos.

Diário do Nordeste

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