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Cultura Quilombola: Mestra de cultura transmite ensinamentos em Porteiras-CE; Veja

De geração em geração | Conhecida popularmente como Maria de Tiê, a senhora Maria Josefa da Conceição, é uma das personalidades responsáveis por transmitir os saberes culturais no Cariri. Nascida na Comunidade Quilombola de Souza, no Sítio Vassourinhas, em Porteiras, ela é bisneta de Raimundo Valentim de Souza, ex-escravo que fugiu de Pernambuco em busca de liberdade.

Foi no município carirense que ele casou e constituiu família. Considerada uma das principais representantes da cultura popular cultural, a mestra herdou de seu avô tradições como, banda cabaçal, reisado, roda de coco e mineiro-pau, que foram passadas em todas as gerações.

A mestra Maria de Tiê, não poupa palavras pra demonstrar o orgulho em ter aprendido os ensinamentos de seu pai na comunidade quilombola. Atualmente ela possui grupos de dança de coco e maneiro-pau, tanto de crianças e adolescentes como de idosos.

“Junto todos numa roda, toco pandeiro e canto aquelas músicas de toada, como meu pai fazia com minha mãe”, explica, ao dizer que em suas letras presta homenagem à história dos negros, da cultura negra e à comunidade dos quilombolas, que é um dos seus motivos de orgulho. Entre as letras, ela dá como exemplo a que diz: “Pelo amor de Deus, o meu povo da cultura são meu povo africano, o meu companheiro amigo”.

 

Conhecida popularmente como Maria de Tiê, a senhora Maria Josefa da Conceição, é uma das personalidades responsáveis por transmitir os saberes culturais no Cariri | Foto: Paporetocariri

 

TRAJETÓRIA

Em sua trajetória, Maria de Tiê já se apresentou em municípios como Crato, Juazeiro do Norte, Itapipoca, Fortaleza, Caucaia e Salitre. Há ainda os amantes da cultura, vindo de diferentes lugares como São Paulo, Brasília, Bahia e cidades mais próximas, que a procuram para conhecer um pouco mais sobre a riqueza cultural. “Eu não me apresento pelo dinheiro. Eu me apresento com o amor que tenho à comunidade, à cultura, à minha cor”, enfatizou.

Aos 58 anos de idade, ela diz ensinar o que conhece para garantir a continuidade da tradição para as novas gerações, já que nunca se sabe o dia de amanhã. “Eu tenho prazer em ensinar o que eu sei. Por isso trago as crianças para dentro da cultura, até o dia que não puder”, completou, agradecendo ao apoio da comunidade e de outras entidades que acompanham o seu trabalho.

 

okariri

 

APOIO

O diretor municipal de Cultura de Porteiras, Ticiano Linard, explica que o trabalho é realizado em conjunto com a Associação da Comunidade dos Quilombolas de Souza da Chapada do Araripe, que é reconhecida pela Fundação Palmares. Há ainda um suporte técnico para o melhor desenvolvimento de aplicabilidade de políticas públicas, dentro da comunidade, que vai além do cultural, graças a um trabalho desenvolvido em rede. “A gente trabalha na perspectiva de ter futuras ações exitosas. A gente planta hoje para colher amar”, explicou.

Sobre a Mestra Maria de Tiê, Ticiano diz haver orgulho em vê-la manter viva a tradição de um processo de ancestralidade. “O reconhecimento deve ser feito no município para se expandir. E vem desde quando realizamos um trabalho coletivo na perspectiva que ele possa crescer. E isso a gente vê no amor que Maria tem em realizar suas atividades com crianças e adolescentes passando o saber adquirido”, enfatizou.

Com Informações: Paporetocariri

Arte/OKariri
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