Os servidores em greve do Detran-CE bloquearam, na manhã desta quinta-feira (7), a entrada do órgão, na avenida Godofredo Maciel, em Fortaleza. Os grevistas alegam que falta “respeito” ao movimento.
O bloqueio atinge uma área externa utilizada pelo Detran para a realização de exames práticos de direção na rua Suíça. O movimento afirma que o local é impróprio para a realização do exame por não ser sinalizado e estar fora dos parâmetros. “Os servidores estão em greve. É preciso respeitar o movimento”, disse o Sindicato dos Trabalhadores na Área de Trânsito do Ceará (Sindetran-Ce).
Com o bloqueio, populares foram impedidos de realizar os exames, gerando um clima tenso. “A população está indignada porque foram informados que (os exames) estavam funcionando normal, mas não estava”, afirmou o sindicato. Viaturas do Cotam e do Ronda do Quarteirão foram ao local. Nenhum confronto físico foi registrado.
Detran nega irregularidade em teste
O Detran afirmou que não há irregularidade na aplicação do teste prático na via pública, negando as acusações do sindicato. De acordo com o órgão, o artigo 147 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) dá o aval para a utilização da rua Suíça.
O código versa que “O candidato à habilitação deverá submeter-se a exames realizados pelo órgão executivo de trânsito, na seguinte ordem:
I – de aptidão física e mental;
II – (VETADO)
III – escrito, sobre legislação de trânsito;
IV – de noções de primeiros socorros, conforme regulamentação do CONTRAN;
V – de direção veicular, realizado na via pública, em veículo da categoria para a qual estiver habilitando-se”.
Segundo o Detran, os exames serão remarcados. A direção do órgão ainda irá se reunir para decidir se manterá ou não a área de testes externa.
Servidores pedem diálogo com governador
O Sindetran informou que aguarda negociação com o governador Cid Gomes. “O Sindicato não quer passar por cima. Queremos uma negociação com o governo. O movimento se dispôs a encerrar a greve se ele aceitar algum tipo de negociação”, frisou.
Na última quarta-feira (6), os servidores aguardavam uma resposta do governo. A resposta não chegou e, em assembleia, o grupo optou por permanecer com a greve, iniciada no último dia 17 de outubro.
Dentre as reivindicações dos servidores do Detran está a implantação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) específico, a reestruturação das tabelas salariais e a recomposição do quadro de funcionários por meio de concurso público.
No último dia 31, o Tribunal de Justiça decretou a ilegalidade da greve e estabeleceu multa diária de R$ 50 mil ao sindicato e de R$ 300 ao servidor que permanecesse sem trabalhar. O Detran afirmou que, além de descontar na folha de pagamento de outubro os 13 dias de greve, solicitou ao TJ a execução das multas, enviando a lista dos grevistas.
Diário do Nordeste





