
Uma crise sem precedentes se abateu sobre a saúde no município do Icó, no Centro-Sul do Ceará, a 350 quilômetros de Fortaleza.
O Hospital Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, filiado à Federação das Misericórdias do Ceará, nem bem começou o Governo novo na cidade, teve sua rubrica retirada pela Prefeitura do Sistema Único de Saúde, o SUS, uma vez que a saúde ali, é municipalizada. Fora do cadastramento da Prefeitura, o Hospital Nossa Senhora de Lourdes fechou as portas por não ter como atender aos pacientes, arcar com despesas de custeios e pagamento dos profissionais de administração e médicos.
Este é o quadro. Diante do exposto, e ouvindo as reclamações e clamores de Icó, vereadores da Câmara Municipal oficiaram ao deputado Neto Nunes, representante majoritário de Icó na Assembleia do Estado, pedindo a realização de uma audiência pública da Comissão de Saúde Pública e Seguridade Social daquela casa pra que o assunto não só fosse dissecado para o povo como e principalmente, se informasse do que de fato ocorre com a unidade hospitalar que já tem cerca de 49 anos e que jamais passou por dificuldades dessa monta.
Fundador e diretor do hospital, também conhecido como hospital do Dr. Quilon, o médico Quilon Peixoto foi um dos que falaram durante a audiência pública que se instalou na Câmara Municipal de Icó às 9 horas da manhã de ontem contando sobre a vida do Hospital, pedindo sua reabertura até em defesa do funcionalismo do Hospital que com o povo lotou todas as dependências da Câmara, que foi pequena para abrigar uma plateia atenta e igualmente preocupada com o futuro da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.
Os vereadores que assinaram o requerimento pedindo a Audiência Pública da Assembleia, as associações comunitárias, o Conselho Municipal de Saúde, representantes da Assembleia e Lilian Beltrão, representando o secretário estadual de Saúde, Luciana Barreto, da Região Estadual de Saúde, tiveram ativa representação durante o evento que não teve caráter político, mas fundamentado num apelo de que se matenha o hospital funcionando, atendendo principalmente às parturientes do Município, agora mal atendidas no hospital Regional, operadas nas mesmas salas de cirurgia onde doentes de enfermidades diversas o são, e internadas em enfermarias junto com pacientes de toda espécie de doenças.
Fala federal
O deputado federal Domingos Neto, representante na Câmara do povo do Icó, foi outro que fez questão de largar seus afazeres na Secretaria da Copa. Domingos, indignado com a atitude da Prefeitura, esclareceu pontos obscuros do processo que fez a municipalidade não credenciar o Hospital do dr. Quilon junto ao SUS, negando sua sobrevivência, matando o atendimento a milhares de pessoas do município ao não assinar o convênio. Domingos Neto até explica: – Não estando conveniado o Hospital tem que fechar as portas por não ter como sobreviver. O Governo do Ceará está com milhares de reais para repassar para o Hospital, mas não pode fazê-lo porque uma vez com o convênio não assinado, é como se não existisse.
O Estado tem dinheiro ouvindo a conversa para salvar o hospital do fechamento, ou promover sua reabertura, mas não pode fazê-lo, até que o Prefeito volta atrás na sua decisão. Na rádio, houve uma verdadeira batalha política de acusações de aliados do Prefeito contra o administrador do Hospital, seu adversário nas eleições passadas para Prefeito. Durante a audiência foi entregue à Câmara, reunida para abrigar a Audiência Pública, um abaixo assinado com perto de 8 mil assinaturas rogando pela reabertura do Hospital Maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Nenhum representante da Prefeitura, ou qualquer vereador aliado ao Prefeito Jaime Júnior compareceram à Audiência Pública.
Números
O Hospital Nossa Senhora de Lourdes teve, no ano de 2012, a média de 120 atendimentos e procedimentos obstétricos. Em janeiro, como a Prefreitura não fez registros dos procedimentos, foi mandado para o DataSUS um relatório de 8 atendimentos e em fevereiro nenhum, disse a representante, da Secretaria de Saúde do Estado, anunciando que o Governo tem interesse direto no atendimento à saúde de Icó.
O Estado





