O clima mais seco no Estado vem gerando danos graves para a população cearense, que variam desde a falta de água até incêndios em vegetações. Segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, publicados pelo Diário do Nordeste, de janeiro a setembro deste ano, foram registrados 943 incêndios ou princípios de incêndio em vegetações em todo o Ceará. Se comparado esse número com o igual período do ano passado, quando o órgão registrou 388, podemos perceber um aumento de 143% dos incêndios em vegetação.
O período com maior incidência foi de julho a setembro. Somente neste ano, em julho, o Corpo de Bombeiros identificou 132 focos de incêndio. Já em agosto, esse dado cresceu para 271 e, em setembro, o órgão chegou a registrar 299 casos. Se comparado os mesmos meses de 2011, é possível visualizar uma grande diferença. Em julho, foram 17 casos, em agosto, subiu para 78 e, em setembro, um aumento maior, com o registro de 237 focos de incêndio.
De acordo com o capitão Danilo de Queiroz, assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros, o ano de 2012 é bastante atípico devido à intensa estiagem. Ele afirma ainda que a população mais afetada é a do Interior do Estado. O capitão explica que, apesar do clima quente ser um agente capaz de provocar incêndio em vegetação extremamente seca, os grandes incêndios são provocados pelo homem. “O cidadão precisa estar atento, pois pode provocar um grande incêndio com uma simples ponta de cigarro”, alerta.
Para amenizar a situação, capitão Queiroz afirma que em todas as regiões do Estado há tem equipes do Corpo de Bombeiro fazendo divulgação para prevenir os incêndios. Ele ressalta que um dos principais problemas ainda são as queimadas utilizadas pelos produtores rurais para a limpeza dos terrenos. “É importante que eles compreendam que essas queimadas não propiciam produtividade, pelo contrário, os terrenos ficam pobre”, conclui.
Segundo Paulo Henrique Lustosa, presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), muitas vezes, não é possível impedir que essas queimadas ocorram, já que a lei ambiental permite que o produtor limpe o terreno com fogo. Contudo, ele afirma que essa é maior causa dos incêndios florestais. “Há uma previsão legal para isso, é lógico que ele precisa ter uma autorização de uso de fogo expedida pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), no entanto, nós entendemos que não é recomendado esse tipo de procedimento”, diz.
Ele afirma que, para amenizar essa situação, o Conpam, juntamente com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atua em um projeto de prevenção de focos de incêndios, o Programa Estadual de Monitoramente Prevenção, Controle de Queimadas e Combate a incêndios Florestais (Previna).
“Nós formamos a nossa Brigada Metropolitana de Combate ao Incêndio uma equipe de 30 brigadistas que atua em todo o Estado. Além de identificarmos os focos fazemos campanhas educacionais”, destaca Lustosa.
O meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) Paulo José dos Santos explica que o aumento dos incêndios em vegetação está diretamente ligado à ausência de chuvas.
“A princípio, ano passado foi chuvoso e, como este ano é seco, os incêndios aumentam e podem ser causados involuntariamente pelo próprios raios solares em contato com a vegetação seca”, ressalta o especialista.
Além disso, segundo ele, outro fator determinante é a velocidade dos ventos que, de agosto a novembro, podem atingir rajadas de 50 a 60 quilômetros por hora. Quanto mais forte o vento, mais difícil é de se controlar os incêndios.
A notícia ruim, de acordo com Paulo José dos Santos, é que, até o próximo mês de dezembro, não há nenhuma previsão de mais chuvas no Estado, já que a La Nina, como é chamado o fenômeno natural responsável pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, se apresenta de forma fraca.






