
Estudantes, professores e servidores das universidades públicas estaduais decidem permanecer na Assembleia Legislativa, em Fortaleza, por mais uma noite. Do lado de fora da Casa Parlamentar, outros manifestantes fazem interrupções temporárias nas vias, chegando a bloquear o sentido sertão-praia da Avenida Desembargador Moreira na tarde desta quinta-feira (28).
Desde a noite da última quarta-feira (27), cerca de 60 pessoas ocupam a Assembleia Legislativa. Segundo o estudante de história da Universidade Estadual do Ceará, Universidade Estadual do Ceará (Uece), Marcelo Ramos, o grupo só desocupará a Assembleia quando o governador Cid Gomes marcar uma reunião.
O vice-presidente do Sindicato dos Docentes da Uece, Eudes Baima, afirma que a única proposta apresentada até o momento para resolver o impasse da desocupação foi realizada pela mesa diretora da Assembleia Legislativa durante a madrugada desta quinta-feira.
Durante a reunião, foi proposto que os manifestantes desocupassem o saguão de entrada da Assembleia, encerrassem a greve e terminassem o ano letivo. Em contrapartida, seria realizado um seminário com duração de até uma semana com as universidades estaduais e o governador Cid Gomes em até 40 dias. A proposta foi recusada pelo sindicato.
Eudes afirma que a ocupação serve como uma forma de pressão para apressar a aprovação da principal pauta de reinvidicação, a contratação de mais professores e servidores, já que o regimento interno da Assembleia entre em recesso no próximo dia 20 de dezembro. “Nossa luta também é contra o tempo. Se todas as etapas do concurso de professores não forem completadas até julho de 2014, não acontecerá mais nenhuma contratação nas universidades estaduais no gestão Cid Gomes”, assevera.
Vice-presidente ainda fala que é urgente a contratação de novos servidores. Para ele, o colapso funcional nas universidades é imininente. “Em 2015, quase metade dos servidores serão aposentados. Já em 2016, não teremos mais servidores técnicos administrativos nas universidades estaduais”, alardeia.
Manifestação pacífica
A manifestação tem sido pacífica desde o seu início, conforme atestou coronel Studart, coordenador Militar de Segurança da Assembleia. Mesmo com a aparente tranquilidade, 13 homens do Batalhão de Choque tomaram posições na entrada da casa legislativa após a chegada de um grupo de manifestantes com tambores. Não houve conflitos.
Os manifestantes têm acesso a banheiro e à água mineral, além disso é permitida a entrada de alimento, segundo informou coronel Studart. Entretanto, é proibido que manifestantes que não estejam em uma feita no início da ocupação também participem do movimento nas galerias do legislativo. De acordo com a Polícia Militar, 53 pessoas estão cadastradas, entretanto, o número é contestado pelos manifestantes. Policiais também impediram a entrada de barracas dentro do prédio ou a instalação delas no lado de fora da Assembleia.
Deputado revela projeto
O deputado Eudes Xavier conversou com os estudantes, professores e servidores que se encontram na Assembleia e falou de uma emenda de bancada aprovada na última pela quarta-feira (27) pela bancada federal e enviada nesta quinta para aprovação pelo Governo Federal. Segundo o deputado, caso a emenda seja aprovada, Uece e Unilab teriam disponíveis R$ 100 milhões a mais para o financiamento de atividades acadêmicas oriundos dos cofres federais.
Visita do bispo
O bispo emérito de Limoeiro do Norte, Dom Ednilson Cruz, visitou os manifestantes e levou palavras de apoio ao grupo na manhã desta quinta-feira. Acompanharam a visita do religioso os deputados Antônio Carlos (PT), Raquel Marques (PT) e Eliane Novais (PSB). O religioso falou por cerca de 5 minutos e foi embora.
Protesto luta contra o sucateamento das universidades
Entre as reivindicações dos manifestantes, estão o concurso para novos professores, Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores, política de assistência estudantil, e melhor infraestrutura nas universidades estaduais.
Diário do Nordeste




