
As chuvas que banharam grande parte do sertão nos meses de abril e de maio favoreceram o cultivo de feijão-de-corda nas áreas de produção. Onde há possibilidade de cultivo irrigado, os produtores já colhem a safra desde o fim do mês passado. Há um aumento na oferta do produto. Resultado: o preço caiu em média de 50% nas principais cidades do Interior do Ceará em comparação a junho de 2012. Porém, chegou a diminuir em até 63% no Cariri. Outros grãos, milho e arroz, tiveram reduzida variação no período.
Na feira livre de Iguatu, principal polo comercial da região Centro-Sul, os consumidores estão aliviados com a queda de preço do quilo do feijão-de-corda. Em junho do ano passado, o grão era vendido por R$ 8,00. Hoje, é comercializado por R$ 4,00. “Há uma produção local e também oriunda da Bahia”, disse o gerente regional da Ematerce, Joaquim Virgulino Neto. “Esse preço deve permanecer nos próximos três meses”.
No Cariri, o preço do feijão chegou a ter uma queda significativa entre maio e junho, nos mercados públicos, com mais de 60%. O quilo do feijão de corda está em torno de R$ 2,80 e chegou em janeiro deste ano a até R$ 7,50. No mesmo período do ano passado, esses valores foram de até R$ 4,50. Conforme o comerciante Flávio Batista, a queda no saco de feijão para revenda era de R$ 420,00 e este mês foi adquirido de até R$ 120,00. O produto é adquirido principalmente da Bahia. No caso do milho, os preços praticamente permanecem, em torno de R$ 1,00 o quilo, com variações em relação ao ano passado, em alguns casos, de até R$ 0,10 a menos.
O feirante, Antonio Olinda de Viera, há 10 anos, vendedor de feijão na feira livre de Iguatu, ao lado do Mercado Público Municipal, disse que a queda no preço do feijão não aumentou as vendas. “Houve um aumento na oferta do produto e muita gente está colhendo na região”, explicou. Há dois meses, o preço estava alto, custava para o consumidor, R$ 8,00. “Em outubro, vai subir para R$ 6,00 o quilo de melhor qualidade”, prevê.
O funcionário público municipal aposentado, Antonio Silva, esteve, ontem pela manhã na feira livre de Iguatu. “Fiquei surpreso com a queda do preço para a metade”, frisou. “Lá em casa, ainda tem feijão que comprei por R$ 8,00 o quilo”. Os consumidores comemoram a queda de preço e esperam que o valor se mantenha. “A seca atrapalhou tudo e se não fossem essas chuvas o preço iria subir mais ainda”, disse o feirante Francisco Oliveira.
Em Iguatu, o preço do milho era vendido por R$ 0,80 em junho passado e agora está por R$ 1,00. O arroz registrou uma alta de 25% no período, passando de R$ 2,00 para R$ 2,50.
Em Crateús, os produtores começaram a colher no último mês e apesar da pouca produção, o preço de alguns produtos caiu e chegam com mais facilidade à mesa do consumidor. O feijão de corda, que há três meses chegou ao valor de R$ 8,00 o quilo, agora está de R$ 4,00 no mercado público da cidade.
Feirantes atribuem a queda ao período de colheita nos distritos de Montenebo e Realejo, região de pé de serra, onde sempre ocorre um volume maior de chuvas e a terra é mais fértil, garantindo safra – ainda que pequena – mesmo em períodos de estiagem. O milho também caiu de preço, de R$ 1,00 há três meses para R$ 0,90. Segundo os feirantes, o produto está vindo de outros Estados do País. “No feijão, baixou por causa da produção, mesmo pequena”, diz José Benevides. Já o arroz mantém o mesmo valor (R$ 2,00).
A redução no preço dos produtos, principalmente do feijão, deixa os consumidores otimistas. A dona de casa Fátima Rodrigues diz que sempre vai à feira comprar os produtos. “Os preços agora estão melhores e espero que diminua ainda mais”, diz.
Em Quixadá, os preços do feijão, do milho e das verduras baixaram nas feiras livres. O quilo do feijão de corda despencou dos R$ 8,00 no início do ano para a média de R$ 3,00, alcançando o mesmo valor de junho de 2012.
Segundo o presidente da Ematerce, José Maria Pimenta, o preço do feijão baixou na região em razão da colheita, principalmente no Sertão Central e Morada Nova. Quanto ao milho, em grão, a oferta da Conab está regulando o mercado cearense. Todavia, os preços devem voltar a disparar a partir de outubro.
Em junho do ano passado, em Quixadá, o quilo do milho, em grão, custava R$ 2,00 e esse valor permanece. O quilo do arroz registrou alta de 10%, no período, de R$ 2,50 passou a R$ 2,75.
No Mercado Público de Sobral, o feijão de corda está fixo em R$ 2,50 e o milho em R$ 1,00. Já o arroz varia em R$ 2,00 a R$2,50. Segundo o comerciante Tarcísio Parente, que trabalha há 12 anos no ramo, o preço do feijão baixou em relação ao anterior, quando chegou a custar R$ 7,50. Já os demais produtos mantiveram o mesmo valor em relação ao ano passado. O mesmo afirma o comerciante Raimundo Nonato Aguiar. “O feijão de corda só baixou devido à safra que houve no Paraná, mas em algumas semanas o preço voltará a subir novamente”, prevê.
Na feira livre de Limoeiro do Norte, feijão, milho e arroz são oriundos do Perímetro Irrigado do Vale do Jaguaribe e Morada Nova. O preço do quilo do feijão-de-corda acompanhou a tendência no Estado e caiu de R$ 7,00 para R$ 4,00. O quilo do milho subiu de R$ 0,80 para R$ 1,00 e do arroz registrou pequena alta de R$ 2,10 para R$ 2,50.
Diário do Nordeste





