Uma matéria publicada pelo Diário do Nordeste nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2025, trouxe novamente à tona um antigo e sensível debate envolvendo a divisa territorial entre os municípios de Missão Velha e Milagres, no Cariri cearense. O foco da discussão é a Floresta Petrificada do Cariri, um importante conjunto de árvores fósseis que tradicionalmente é associado a Missão Velha, mas que, segundo questionamentos locais, pode estar situado dentro do território milagrense.
A Floresta Petrificada guarda troncos fossilizados dos períodos Jurássico e Cretáceo, resultado de um processo natural que transformou a madeira em minerais ao longo de milhões de anos. A partir desse material, cientistas conseguiram realizar importantes descobertas e até reconstruir digitalmente como era a paisagem do Ceará em eras remotas, revelando um cenário totalmente diferente do que conhecemos hoje.
Considerada um “patrimônio natural de valor inestimável”, a área ganhou destaque a partir das pesquisas da paleobotânica Domingas Maria da Conceição, pesquisadora visitante do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN/Urca). Em artigo científico publicado em 2025, ela descreve uma espécie fóssil inédita para a ciência mundial, a Metapodocarpoxylon brasiliense, além de registrar pela primeira vez no Brasil a espécie Agathoxylon mendezii, antes conhecida apenas na Patagônia, na Argentina.
Além da relevância científica, a floresta também ocupa um lugar estratégico dentro do Geopark Araripe, reconhecido internacionalmente como geossítio pela UNESCO. No entanto, sua localização exata é alvo de polêmica. O tema já foi discutido na Câmara Municipal de Milagres, quando o então vereador Felipe Jacó questionou se o geossítio, localizado no Sítio Olho D’Água Comprido, pertence de fato a Missão Velha ou a Milagres. A área faz divisa com três municípios — Milagres, Missão Velha e Abaiara — e, segundo o parlamentar, o ponto conhecido como Grota Funda, onde estão os fósseis, estaria dentro do território milagrense.
Ainda de acordo com Felipe Jacó, o assunto foi levado à UNESCO em 2022, durante reunião com o então reitor da Urca, solicitando a revisão oficial da delimitação territorial. Caso a mudança seja reconhecida, Milagres poderá conquistar não apenas o reconhecimento científico, mas também um grande potencial turístico, com impactos positivos econômicos, sociais, culturais e políticos. E você, qual é a sua opinião sobre esse assunto?
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