Você acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai voltar a Missão Velha, no Ceará, nesta sexta-feira, dia 18 de julho? Pois é! A visita tem um propósito especial: acompanhar as obras da Ferrovia Transnordestina. Mas olha só que curioso… Essa visita nos faz lembrar de outro momento importante da história: no dia 6 de junho de 2006, ainda no último ano de seu primeiro mandato, Lula esteve exatamente ali, em Missão Velha, para lançar oficialmente o início dessas mesmas obras.
Naquela época, o projeto da ferrovia foi anunciado com toda pompa. O investimento? Algo em torno de R$ 4,5 bilhões. E a promessa era de que tudo estaria pronto até 2010. Mas o tempo passou, governos mudaram, e até hoje, as obras ainda não foram concluídas.
E essa história toda revisita uma memória que mora no coração do povo do Cariri: a época de ouro dos trens. Sim, houve um tempo em que os trilhos cortavam cidades inteiras da região, ligando o Cariri ao restante do país. Era mais do que transporte — era conexão. O trem levava gente e levava mercadoria. Levava esperança.
Para quem não sabe, a primeira ferrovia do Ceará foi a Estrada de Ferro de Baturité. Ela foi inaugurada em 1873, mas só chegou à cidade de Baturité mesmo em 1882. Ligava Fortaleza ao sul do estado, indo até a região do Cariri. Na mesma época, começaram as obras da Estrada de Ferro de Sobral, inaugurada em 1881. Foram tempos de progresso e movimentação.
Mas, como tudo muda, a ferrovia também entrou em declínio. O transporte rodoviário começou a crescer, e os trilhos foram sendo esquecidos, desvalorizados. Mesmo assim, a ferrovia deixou sua marca no desenvolvimento econômico e social do Ceará. Ela foi, durante muitos anos, a principal forma de ligar regiões distantes, transportar riquezas e aproximar pessoas.
Nesse contexto, surge uma história curiosa e muito simbólica. Em 1994, o milagrense Jonas de Andrade — mais conhecido como Bilinguim — gravou, junto com o Trio Nortista, um disco chamado Doutor, Cadê o Trem?. Era um protesto, uma música que pedia com clareza: “Doutor, bota o trem de volta!”. Bilinguim lembrava que o trem era mais do que um transporte para o pobre. Ele também carregava as riquezas produzidas pelo povo cearense.
E veja só como essa canção continua atual… Trinta e um anos depois da gravação, o pedido ainda ecoa forte: doutor, bota o trem de volta!





