Governo Federal admite mais reajuste nos combustíveis neste ano

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro que a gasolina e o diesel devem ter novos reajustes ainda...

Plataforma de petróleo: saúde financeira da Petrobras é fundamental para novos investimentos, inclusive no Ceará (Foto: Agência Petrobrás)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro que a gasolina e o diesel devem ter novos reajustes ainda neste ano. O objetivo é reduzir a defasagem entre os preços praticados no mercado internacional, de onde a Petrobras compra parte do combustível, e o que é vendido dentro do País. “A nossa tendência será acompanhar, cada vez mais, a evolução dos preços do petróleo”, disse em entrevista concedida ontem.

Para o consultor de Petróleo e Gás, Bruno Iughetti, a gasolina e o diesel ainda devem ser reajustados entre 8% e 12% neste ano. “Pelas minhas contas, eu acredito que ainda caberá um reajuste em torno disso”. Ele explica que os recentes reajustes feitos nos preços da gasolina e do diesel não são suficientes para equilibrar os preços, nem as contas da Petrobras. Esses índices, portanto, evitariam prejuízos ao programa de investimentos da Petrobras, ao seu plano de negócios.

Mercado
Para o economista Sérgio Melo a presidente da Petrobras, Graça Foster, tem mostrado, ainda que de forma sutil, que sabe da necessidade de tratar a empresa de forma coerente com o mercado e não como uma empresa pública. “A Petrobras tem acionistas privados que buscam retornos como qualquer investimento atraente. A Petrobras não é um investimento para ajudar o Governo Federal”, aponta.

Francisco Assunção e Silva, vice-presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Nordeste (Apimec Nordeste), aponta que a mensagem de que não há convergência entre os preços praticados no Brasil e no Exterior é preocupante. “Abala o mercado e gera pessimismo”, reforça. Ele acredita que o Governo deve seguir trabalhando na linha da desoneração e no acesso ao crédito. “No Brasil não dá para pensar em elevar taxas de juros”, completa.

A desoneração já vem sendo praticada pelo Governo Federal na hora de tentar conter o preço ao consumidor final. O último reajuste antes do anunciado no mês passado foi há cinco anos e o brasileiro não chegou a sentir os reflexos, já que, com corte em impostos, o Governo impediu o aumento chegasse aos postos de combustível.

“Há dois olhares: um para o mercado e o outro para a política, que é a garantia do voto”, diz o consultor Bruno Iughetti. Segundo os especialistas embora o aumento não seja agradável ao consumidor e por isso o governo o evite e tente manter a simpatia dos eleitores, o reajuste é necessário para o mercado e para os investimentos da empresa e crescimento nacional.

A saúde financeira da Petrobras é pauta importante no Ceará, que aguarda a definição sobre a Refinaria Premium II, investimento da empresa previsto para o Pecém, mas que ainda não saiu do papel. “O que vai ocorrer com os aumentos é que as contas em equilíbrio resultam em investimento, inclusive na refinaria.

Só estamos importando tanto porque não temos capacidade de refino”, explica Sérgio Melo. Com a refinaria o reflexo se dá nos preços e os ajustes se justificam. “O reflexo na inflação é pontual e se corrige ao longo do tempo”, opina o economista. Hoje, o governador Cid Gomes tem uma reunião em Brasília com a presidente Dilma Rousseff para tratar da implantação da Refinaria.

O Povo

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