JUAZEIRO: Juíza pronuncia acusados de envolvimento nas mortes de Amarílio e Dedé

A juíza Ana Raquel Colares Linard acaba de oferecer a sentença de pronuncia contra os réus Jonatan Marcos de...

Thiago é acusado da execução após ser contratado por Paulo Victor (Foto: Arquivo/Agência Miséria)
Thiago é acusado da execução após ser contratado por Paulo Victor (Foto: Arquivo/Agência Miséria)

A juíza Ana Raquel Colares Linard acaba de oferecer a sentença de pronuncia contra os réus Jonatan Marcos de Oliveira e Paulo Victor Lopes Monteiro acusados de envolvimentos nas mortes do vereador Amarílio Pequeno da Silva e o ex-policial Civil, Dedé Bezerra, no dia 20 de setembro de 2011 na Praça do Giradouro em Juazeiro do Norte. Eles já tinham sido denunciados pelo Ministério Público e deverão, em breve, serem submetidos ao julgamento pelo Tribunal Popular do Júri.

Tanto na denúncia quanto na pronuncia, Jonatan ou “Thiago Pernambuco” é apontado como autor dos disparos que mataram os dois, fugindo em uma moto pilotada por Ramon Gonçalves Vital. Já Paulo Victor, de acordo com os autos, teria contratado Thiago para matar Amarílio, segundo revelou, a pedido de um então detento da PIRC, Damião Érico Cavalcante Nicolau, apelidado por “Damiaozin” ou “Vela” que, hoje, encontra-se recolhido em um presídio da Região Metropoilitana de Fortaleza.

A ponte entre Paulo e Thiago teria sido feita por outro detento apelidado por “Magão” que forneceu o telefone do executor. Os autos juntam cópia do processo de liquidação judicial da CONCASA, a relação dos passageiros que viajaram pela empresa Guanabara entre os dias 20 e 23 daquele ano, reconhecimento de Thiago por testemunha do duplo homicídio, os autos da interceptação telefônica, laudo pericial de cinco aparelhos celulares e um comunicado sobre a prisão de Paulo Victor acusado de sequestro no Rio Grande do Norte

Na fase de instrução criminal, Thiago negou a autoria material do duplo homicídio e disse não conhecer Damião e nem Paulo Victor contrariando o que dissera perante a autoridade policial e o representante do Ministério Público. Naquela época, revelou ter sido contratado por R$ 2 mil para matar Amarílio a mando de uma pessoa apelidada por “Galego” o qual teria entregue a pistola e apontado a vítima para Paulo Victor que lhe repassou as informações.

Ele disse que só assassinou Dedé Bezerra pelo fato deste ter se levantado e ido ao seu encontro. O refúgio, conforme relatou em depoimento, teria sido na Serra do Horto, passando, depois, por pousadas em Juazeiro e indo morar na Rua das Pitombeiras em Barbalha. Da mesma forma quando prestou depoimento, Paulo Victor ofereceu uma série de detalhes. Inclusive o valor que lhe seria pago por Damião de R$ 10 mil após vir de Fortaleza para fazer o “serviiço”, cujo dinheiro, conforme disse em sua oitiva, teria sido repassado por um vereador de Juazeiro, mas não sabia o motivo do crime.

Num novo depoimento, Paulo Victor negou todas essas informações antes passadas acusando o Delegado Francisco Crisóstomo de tê-lo torturado para fazer a confissão por não gostar dele e muito menos do seu pai que é coronel da Polícia Militar. Na sentença de pronúncia, a juíza chama a atenção para a semelhança entre os depoimentos iniciais de Thiago e Paulo Victor apesar da diferença de tempo em torno de dois meses e sem que tivessem mantido contatos entre sí.

Além disso não há registro de lesões corporais que tivessem caracterizado os espancamentos. Já a afirmação do mesmo de que tomara conhecimento do duplo homicídio por meio do seu primo apelidado por Léo Boca de Lata, causa um choque, pois este tinha sido morto a tiros sete meses antes. Outra estranheza é o fato da mulher de Paulo Victor ter acompanhado o depoimento e não ter denunciado as “torturas” sofridas pelo marido.

Uma conversa telefônica entre Damião e Thiago evidencia o interesse de Paulo Victor nas mortes dos irmãos “Joaozinho” e “Tiago” quando o acusado nos assassinatos de Amarílio e Dedé reclama de valores dizendo ter recebido uma “mixaria”. Todavia, na mesma conversa, elogia a arma usada que foi uma pistola ao saber que seria a mesma: “ela é nervosa. a bicha era braba e só vi a queda dos bodes”. Noutra conversa existe uma queixa de que uma das vítimas não era para ter morrido – supostamente Dedé Bezerra – e Thiago retruca observando que, do contrário, teria sido abraçado por ele.

Agência Miséria

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