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Dia da Consciência Negra: Um jogo de cores; Como explicar para alguém o racismo?

Como explicar para alguém o racismo? Como explicar que um pouco mais de melanina na pele supostamente torna alguém menos humano, mais perigoso ou mais violento? Imaginei uma situação fictícia onde eu seria um racista “raiz”, dono de casa grande e senhor de escravos em pleno 2020 e uma pessoa chegaria para mim para perguntar por que motivo eu possuía escravos e com base em que eu os escravizei. Advinhe… não consegui falar nada que pudesse ser justificado. Se falasse que os negros seriam mais perigosos por causa da cor da pele, Hitler, Stâlin, Mao, Tse-tung e boa parte dos políticos de hoje derrubariam meu argumento. Caso falasse que pessoas negras são mais violentas, os dados estatísticos de violência e a própria história me deixariam, também, sem argumento.

Mulher de turbante. Fonte: Coleção Gilberto Ferrez

Os nazistas, tentaram justificar a superioridade da raça ariana (homens brancos) do ponto de vista biológico, teorias darwinistas sociais seguiram a mesma linha. O que conseguiram prova/comprovar? Nada! Essas teorias não se sustentam cientificamente. Quais as causas dessas ideias? Divisão, segregação, violência e genocídios.

Claro, estou apontando apenas alguns pontos e acontecimentos da história, existem muitos outros exemplos.

O Brasil é um país racista! Pode causar espanto essa afirmação ainda mais por estar colocada com ponto de exclamação, mas, infelizmente, é uma afirmação verdadeira. Nosso problema é estrutural, ao longo da história mudou, se adaptou e acentuou-se de diferentes modos.

Hoje é um problema, uma faceta precária do país que influencia diretamente diversos outros problemas da sociedade. O racismo é crime, simples assim. Segundo o art 5° da Constituição Federal “crime inafiançável e imprescritível”. Imagine aí, para ter espaço na nossa Constituição Federal e de forma tão dura, será se foi um erro de digitação?

Alta porcentagem de negros entre escravizados resgatados é sintoma da realidade vivida pelos negros ainda hoje, segundo pesquisador de História Afro-Brasileira (Foto: Sergio Carvalho – Subsecretaria de inspeção do trabalho do Ministério da Economia)

Nós somos racistas, esse é o ponto de partida. Essa “acusação” não é uma forma de denúncia, mas sim uma forma de tomada de consciência. Não basta falar: Não sou racista; tenho amigos negros; minha namorada é negra; minha família é de origem negra, enfim. Racismo não é fala, é ato. Somos racistas evitando conversar, evitando agir, evitando debater. O racismo não tem cor, idade, profissão ou gênero. Então aceite e diga: Sou racista! Pronto, essa atitude já é um começo muito importante.

Ser antirracista é uma prática, não basta falar que não é. Mostre, demonstre, (re)mostre, nunca é o suficiente.

Agora, próximo passo…

Esta matéria teve a colaboração de Jeremias Rocha, professor da E.E.M Dôna Antônia Lindalva de Morais Graduado em Geografia pela Universidade Regional do Cariri – URCA e Pós-graduando em Ensino de Geografia

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