
O que é música? Provavelmente, essa é uma das mais complexas e inquietantes perguntas. No entanto, diante de uma pergunta complexa, exige um esforço intelectual para se revelar uma resposta simplificada e satisfatória, o que nem sempre é uma tarefa fácil.
Mas, o que vem a ser música? “Música é a arte de manifestar os diversos afetos de nossa alma mediante ao som”. (BONA, 2002, p. 2). Compreender essa definição está ao alcance de todos. Apreciar a música em seus mais variados estilos de acordo com o gosto e as influências culturais, também está ao alcance dos ouvintes. Compreender a música em termos técnicos, limita-se aos estudiosos e pesquisadores.
Extrair a essência da música compondo melodias harmoniosas em um pentagrama, é privilégio dos gênios.
Assim foi o Maestro Maciel Sobrinho (in memoriam), um músico exímio, de competência técnica extraordinária, um gênio por excelência.

Antônio Maciel Sobrinho nasceu em 13 de junho de 1928 em Pedra Branca, Ceará. Filho de Sebastião Maciel de Oliveira e Luzia Vieira de Oliveira foi o primogênito de dez filhos.
Morou em Redenção-CE, dos 4 aos 12 anos de idade, onde estudou até a quinta série do fundamental, no grupo Pe. Saraiva Leão. Em seguida volta a Pedra Branca-CE para ajudar seu pai na roça. Posteriormente retorna para Redenção onde começa sua trajetória musical, integrando a banda de música da cidade para tocar clarinete, instrumento esse que veio a ser seu fiel companheiro.
Estudou música com o Mestre e 1° Sargento, José Alberto da Silva. Em 1950, já tendo participado do Tiro de Guerra, ingressa na Polícia Militar do Ceará, e pelo seu virtuosíssimo trabalho, logo foi promovido as melhores graduações, chegando até 1° Sargento.
Músico muito respeitado e 1° clarinetista solista desde o início, tocou muito nas noites de Fortaleza, nos melhores clubes, chegando a montar seu próprio Conjunto Musical, o SOM 7 e depois o SOM BRASIL.
Em 1957 casou-se com Mirian da Costa Maciel e tiveram 11 filhos. Hoje já são 15 netos e 2 bisnetos.
Foi maestro e fundador de várias Bandas de Música, tais como as das cidades: Milagres, Taitinga, Beberibe, Coreaú, Pacatuba, Aracati, Acaraú, e Cruz. Atuou pela Banda de Música Pe. Valdery no período de 1989 até 2010, quando teve que se afastar por problemas de saúde e dificuldades de locomoção.
[ads1] Em Milagres, o Maestro Maciel assumiu a banda de música municipal no início dos anos 1980, permanecendo à frente dos trabalhos até meados dos anos 1980.
A musicista e afilhada do Maestro Maciel, Aline Américo, assim se refere:“Falar sobre o Maestro Maciel e honrável, pois além de ser um amigo de meu pai Inácio Américo, foi escolhido para ser meu padrinho, e foi um dos maestros que contribuiu muito para a cultura do nosso município, formando músicos que desenvolveram prazer em exercer essa arte que é tocar, a qual até hoje, músicos daquela época se emocionam com a banda de música”. Aline Américo segue em seu depoimento afirmando que: “Além do Maestro Maciel ser uma das figuras importantes da banda de nosso município, contribuiu com algumas das escrituras de valsas para enriquecer o repertório da banda, uma delas, é uma homenagem a uma filha de um de seus melhores amigos (Inácio Américo), no qual o nome da valsa é chamada “valsa Arleide”.
Para o ex-integrante da Banda de Musica de Milagres, Ivanildo Rodrigues, “…a maior contribuição do maestro foi com a formação, ou seja, a “alfabetização” musical, dando condições técnicas para que os novos integrantes da banda desenvolvessem a leitura das partituras musicais a serem executadas”.
Concordando com Ivanildo Rodrigues, o atual membro da banda e contemporâneo do maestro, Inácio Izídio dos Santos, conhecido por Narciso da Banda, assim se refere: ”a formação dos jovens músicos foi muito importante, pois, antes de Maciel vir trabalhar em Milagres, os músicos que ingressavam na banda não tinham formação, a maioria tocava de “ouvido”. Com a formação musical, alguns membros da banda de Milagres ingressaram em seguida na Banda de Música da Polícia Militar”.
O legado deixado pelo maestro Maciel continua vivo, assim como até hoje, muitos são os milagrenses que recordam o belíssimo trabalho desenvolvido em benefício dos valores musicais e culturais da nossa cidade.
Aqui em Milagres compôs valsas e dobrados, enriquecendo o repertório da banda, dentre essas obras destacamos: Dobrado Wilson Leite em homenagem ao prefeito de Milagres da época; Valsa Arleide e a Valsa Suzanna, esta última em homenagem a filha do amigo Ivanildo Rodrigues, entre outras composições.
Antônio Maciel Sobrinho sabia como poucos colocar em ordem as sete notas musicais de forma harmoniosa e genial.
Referências
bandademusicapadrevaldery.blogspot.com
bandademusicamestremiltongomes.blogspot.com
lendopartitura.blogspot.com






