Aconteceu na última quinta feira (06/07) mais uma farinhada no Sitio Cajuí, em Milagres/CE, uma tradicional farinhada do Sr. José Bezerra, que reuniu amigos em torno da cultura milenar.
O sítio onde aconteceu a farinhada, antes pertencia à família Pereira, foi comprado por José Bezerra, do qual os seus filhos, netos e bisnetos mantém a tradição da atividade.

Uma arte secular
A fabricação de farinha é uma atividade secular em Milagres. Antes mesmo de sua emancipação política, desde a chegada dos primeiros portugueses, o cultivo da mandioca e a produção de farinha é uma das mais antigas atividades agrícolas municipais. Atualmente a casa de farinha pertence à família Bezerra. Este ano a casa de farinha completa 61 anos de atividade.
De tudo se aproveita
A produção tudo aproveita. A casca da mandioca serve para ração animal, da massa faz-se a farinha e a goma. Ao final do processo ainda é muito tradicional o beiju de forno, iguaria da culinária que leva incrementos de coco e amendoim. E no sítio Cajuí ainda há o tradicional forno de pedra.

Dificuldade
Hoje em dia, segundo os participantes da atividade, é difícil continuar preservando esta cultura, não apenas pelas condições climáticas, mais principalmente pela falta de políticas públicas voltadas para a atividade agrícola em geral no município.
A mesma atividade é praticada em outros locais do município, como por exemplo, a “farinhada” do Seu Nirú, que acontece no Sitio Serra Brava, mais, com a mesma dificuldade que todos enfrentam.
Farinhada
Farinhada é a transformação da macaxeira ou mandioca (maniva) em farinha branca ou amarela, além de goma fresca ou torrada, da qual se faz as deliciosas tapiocas.
Depois que a maniva é colhida e carregada até a casa de farinha, ela é rapada e seguida triturada. Daí passa a ser espremida para retirada da goma. O passo seguinte é a “empresação” (tira-se a massa do tanque, já espremida e coloca-se na “prensa” para continuar a tirar à “mandipoeira” (liquido venenoso da mandioca) da massa. Logo após a massa passa a ser peneirada e torrada, passo final do processo. Em seguida a farinha está pronta para ser ensacada.
Lavar a Goma
É o processo de retirar da goma uma massa chamada “borra”. Assim a goma fica branca. Mais também se come a borra. A goma também é torrada e é o produto mais caro da farinhada.
Tapioca ou beijú
É a parte saborosa da “farinhada”. O beiju é feito de goma fresca, coco raspado e sal a gosto. Coloca-se então esta massa no forno e espera uns 10 a 15 minutos e se tem um beiju pronto.
Por: Portal OKariri, com a colaboração de Eva Campos.





