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‘Tragédia em Milagres’: Policiais militares são isentos da morte de uma das vítimas pelo MPCE

Foto Montagem

MILAGRES | O Ministério Público do Ceará (MPCE) isentou 15 policiais militares (PM) da morte de uma das reféns durante confronto em um assalto a banco em Milagres (CE), em dezembro de 2018, mesmo depois que a perícia apontou que os tiros que atingiram Francisca Edneide foram disparados pelos agentes de segurança.

Na ocasião, 14 pessoas foram mortas com tiros de fuzil dos policiais, sendo seis reféns e oito assaltantes. O crime aconteceu no município de Milagres, na região do Cariri. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) acatou a denúncia do órgão na última segunda-feira (20).

Os promotores responsáveis pela acusação afirmaram, nesta terça-feira (21), em coletiva de imprensa, que os militares não foram responsabilizados pelo crime porque eles não tinham como saber que a cearense Francisca Edneide e a mãe, Maria Lurilda (sobrevivente), estavam dentro do mesmo veículo que os suspeitos do assalto. Elas ficaram abaixadas durante o confronto dos PMs com os ocupantes do carro.

Na época do crime, Maria Lurilda afirmou em depoimento que os policiais já chegaram atirando, antes mesmo dos assaltantes reagirem. Além dela, um outro refém também sobreviveu. Oito pessoas suspeitas de participar do assalto à agência bancária foram presas.

Na última segunda-feira (20), o MPCE denunciou 19 policiais e o vice-prefeito de Milagres, Abraão Sampaio, pelo episódio que ficou conhecido como “Tragédia em Milagres”. Quinze PMs foram acusados por homicídio qualificado, enquanto os outros quatro e o vice-prefeito por fraude processual – por terem apagado imagens de câmeras de segurança e alterado a cena do crime.

Ainda conforme a denúncia do MPCE, os policiais Azevedo Costa Neto, Edson Nascimento do Carmo e Paulo Roberto Silva dos Anjos são os responsáveis diretos pelo homicídio de cinco reféns, todos da mesma família. As vítimas são: Cícero e Gustavo Tenório, Claudineide Campos (pai, filho e mãe, respectivamente); e João Batista e Vinícius Magalhães (pai e filho).

Imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial comprovam que, apesar da condição indefesa dos reféns, os denunciados seguiram atirando contra os mesmos até a calçada da Farmácia, mesmo estando a menos de dez metros do alvo, consta na denúncia.

A família foi feita refém quando passaram de carro pelo município de Milagres, que fica no caminho para a quem vai de Juazeiro do Norte em direção a Serra Talhada, em Pernambuco, para onde iam. Eles estavam fora do veículo quando foram alvejados.

Fraudes processuais

O MPCE denunciou o vice-prefeito de Milagres por fraude processual por ele ter interferido na cena do crime. Ele colocou os corpos dos cinco membros da mesma família dentro da caçamba de sua Amarok e os levou para o Hospital de Milagres, mesmo após a morte das vítimas. De acordo com os promotores responsáveis pela denúncia, Abraão, que é médico, retirou os corpos a pedidos dos PMs.

“As investigações demonstraram que, tão logo cessaram as operações policias contra os bandidos, ele (Abraão Sampaio) recolheu os corpos de reféns e colocou em sua caminhonete, em circunstâncias que claramente não havia ali vidas para serem socorridas. Ele, sendo médico, teria como saber claramente que todos estavam mortos. Além disso, na nossa opinião, qualquer leigo tinha condições de identificar que todos estavam mortos, devido ao estado dos corpos” , disse o promotor público Muriel Vasconcelos.

Ainda conforme os promotores, assim que os corpos chegaram ao Hospital de Milagres, eles foram encaminhados para o necrotério. “O médico que estava de plantão sequer aceitou receber os corpos”, destaca Vasconcelos.

Já a acusação por fraude processual contra quatro PMs se deu porque eles interferiram na cena do crime e apagaram imagens de câmeras próxima ao local do ocorrido.

Execução

A denúncia do Ministério Público apontou também que dois dos oitos assaltantes mortos durante o confronto foram executados por PMs, em diferentes circunstâncias. Lucas Torquato Loiola Reis foi assassinado enquanto estava rendido e preso na casa de um morador na comunidade Campo Agrícola, em Milagres.

okariri
Já Rivaldo Azevedo dos Santos foi colocado dentro de um carro da PM, levado até a Delegacia de Milagres e, depois de apontar o local que serviu de base para a quadrilha, no município de Barro, foi executado.

Câmeras do circuito interno da Delegacia mostram o momento em que o carro da polícia chega ao local com Rivaldo. No entanto, ele permanece dentro do veículo, enquanto os agentes entram e saem do local logo em seguida.

Comissão de investigação

A Comissão de policiais civis que investigou a “Tragédia em Milagres” pediu que os 19 PMs fossem presos pelos crimes. No entanto, o MPCE solicitou apenas o afastamento de seus postos. De acordo com os promotores a decisão foi tomada por não considerarem que os agentes de segurança representam um risco.

“Nós, promotores, decidimos por não solicitar a prisão, por não haver elementos de malferimento à ordem pública ou que coloquem em risco a ordem processual. A princípio, todos responderão o processo em liberdade, mas isso pode mudar se a situação processual recomendar”, diz o promotor Leonardo Marinho.

Fonte: G1 CE.

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