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Veneno de aranha pode ter efeito protetor contra derrame; confira

Aranha-funil é a espécie mais mortífera da Austrália (Mark Baker/Reuters)

O veneno da aranha-funil, a mais mortífera na Austrália poderá ser o passo inicial para a criação do primeiro tratamento no mundo capaz de evitar que células cerebrais sejam danificadas após um acidente vascular cerebral. É o que revela um estudo inédito da universidade de Queensland, na Austrália.

Utilizando pipetas, os cientistas sugaram o veneno de três aranhas da espécie, cujo veneno é capaz de matar o ser humano em até 15 minutos, e identificaram uma proteína chamada Hi1a. Entenderam que a substância se assemelhava a outros compostos químicos capaz de protegerem células cerebrais.  A substância foi recriada em laboratório e injetada em ratos.

Por que olhar para o veneno de aranha em primeiro lugar? Glenn King, cientista que liderou a pesquisa, explica: “Muitos dos distúrbios do sistema nervoso humano envolvem canais iônicos disfuncionais (por exemplo, epilepsia) ou canais iônicos sobre-ativos (dor crônica e acidente vascular cerebral). Assim, estamos tipicamente procurando moléculas que modulam a atividade destes canais. O veneno de pequenos invertebrados venenosos, como aranhas, centopeias e escorpiões, evoluiu para direcionar o sistema nervoso de insetos e, consequentemente, estão absolutamente cheios de moduladores de canais iônicos”, explicou.

No estudo, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências do país, eles descreveram a Hi1a como “altamente neuro protetor”, nos modelos do que acontece quando alguém sofre um derrame causado por um coágulo de sangue. “Esta primeira descoberta mundial nos ajudará a fornecer melhores resultados para os sobreviventes de AVC, limitando os danos cerebrais e a incapacidade causados ​​por esta lesão devastadora”, disse Glenn King. “Entendemos que Hi1a ainda fornece alguma proteção para a região do cérebro central mais afetada pela privação de oxigênio, que é geralmente considerado irrecuperável devido à rápida morte celular causada por acidente vascular cerebral”, complementou.

Kate Holmes, vice-diretora de pesquisa da Associação Nacional de Acidente Vascular Cerebral, no país, surpreendeu-se com a descoberta, mas acredita que ainda não se sabe se a proteína poderá ser usada em futuros tratamentos para humanos. “Qualquer tratamento que tenha o potencial de reduzir os danos causados ​​por acidente vascular cerebral é muito bem vindo, especialmente se isso pode beneficiar as pessoas que são incapazes de chegar ao hospital rapidamente, mas ainda é muito cedo para sabermos se esta pesquisa pode oferecer uma alternativa para pacientes com AVC”, ponderou.

Fonte: Veja Saúde

 

 

 

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