Doenças antigas ainda têm transmissão no Ceará

No século XXI, mesmo com todos os avanços da Medicina e um ganho de quase 12 anos na expectativa...

Casas de taipa e sem saneamento podem abrigar vetores de doenças graves (Foto: Antonio Carlos Alves/Diário do Nordeste)
Casas de taipa e sem saneamento podem abrigar vetores de doenças graves (Foto: Antonio Carlos Alves/Diário do Nordeste)

No século XXI, mesmo com todos os avanços da Medicina e um ganho de quase 12 anos na expectativa de vida nas últimas três décadas, ainda há quem sofra com doenças relacionadas às condições básicas de higiene. Patologias antigas e consideradas pelo Ministério da Saúde (MS)como em processo de erradicação, como tracoma, esquistossomose, doença de Chagas, tuberculose, hanseníase e leishmaniose, continuam fazendo vítimas entre quem mora no Estado.

Em Fortaleza, apesar de ter erradicado tecnicamente quatro dessas doenças, o contágio da tuberculose, leishmaniose e hanseníase preocupa. No caso da leishmaniose visceral, mais conhecida como calazar, o número de óbitos triplicou em 2012. Na Capital cearense, no ano passado, 19 pessoas morreram, contra seis em 2011.

Segundo o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), relativo à tuberculose, de outubro do ano passado, somente 19 municípios cearenses não tiveram notificações da doença. Já de hanseníase, de acordo com dados do boletim da Sesa de junho de 2012, foram diagnosticados 2.003 casos novos, alcançando um coeficiente de detecção geral de 23,7por cada 100 mil habitantes, taxa considerada muito alta pelo MS.

Interior

Segundo o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, Manoel Fonsêca, o tracoma ocorre em todas as localidades do Estado e está relacionado com a escassez de água e à presença de insetos vetores, como a mosca doméstica. Neste ano, ainda segundo o coordenador, deverá ser iniciado um projeto piloto de prevenção por meio do controle ecológico dos vetores em 13 municípios. O projeto irá custar R$ 386 mil e será financiado pelo Ministério da Saúde.

Já a esquistossomose é controlada de forma rotineira na região do Cariri, Maciço de Baturité e Serra da Ibiapaba. “Anualmente, o Estado do Ceará realiza de 40 a 45 mil exames de fezes na população de diversas localidades de 23 municípios. A prevalência da doença é de 2%”.

Tratamento

Segundo Anastácio Queiroz, diretor do Hospital São José, que recebe os casos mais complicados dessas doenças, a condição de vida tem relação direta com a contaminação. “Cuidados simples, como lavar as mãos, poderiam reduzir muito os casos registrados de algumas doenças, como o tracoma e a esquistossomose”, explica.

Outro fator que favorece a proliferação é a falta de saneamento básico. Em Fortaleza, 53,71% das residências, ou seja, pouco mais da metade, têm acesso à cobertura de esgoto. No Interior do Estado, a cobertura não chega a um quarto das casas, com apenas 24,28%. Para a Cagece, ainda há resistência da população em aderir às redes de esgoto e, em algumas regiões, o nível de adesão só chega a 70% após cinco anos de implantação.

Diário do Nordeste

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