
O dia que deveria ser de comemoração transformou-se em angústia. A jovem mãe Juciany Araújo completa hoje 22 anos, mas sofre por não estar ao lado da única filha, de apenas um mês de idade. A menina foi raptada nesta sexta-feira (7) de uma clínica médica no bairro Presidente Kennedy, em Fortaleza. Para a família, a suposta raptora parecia apenas querer ajudar.
O caso aconteceu na Clínica Santa Edwirges. Juciany e a filha foram ao consultório, por volta das 11 horas da manhã, acompanhadas da acusada, que se identificou à família como enfermeira e prometeu uma consulta para a criança. Enquanto a mãe da menina se ausentou para ir ao banheiro, a mulher deixou a clínica levando o bebê.
Segundo relato dos familiares, a raptora havia se aproximado da família há cerca de uma semana. Apresentou-se apenas como Carla e ajudou a família com roupas e alimentos para o bebê.
Juciany conheceu a mulher por meio de uma amiga, uma adolescente de 17 anos. A jovem diz que encontrou a suposta enfermeira na praia do Icaraí, em Caucaia, um mês atrás, em uma parada de ônibus. Ela acredita que o alvo da raptora seria a filha dela, que tem quatro meses. “A minha filha estava internada. Quando ela viu que a minha filha não estava em casa, ela aproveitou a da outra”, conta a adolescente.
A adolescente diz ainda que a mulher orientou as mães para que, quando fossem ao médico com ela, saíssem desacompanhadas, levando apenas as crianças. Ainda assim, Juciany e a jovem afirmam não ter desconfiado das intenções da suposta enfermeira. “Tudo que ela podia, comprou para a neném. Ontem mesmo (quinta-feira), comprou um bolo para comemorar o primeiro mês da minha filha”, revela Juciany.
O pai da criança, Francisco William Bento, 19, conta que viu a mulher apenas duas vezes. O jovem relata que ela alegou ter uma prima pediatra. Segundo o pai, quando a filha da adolescente adoeceu, a suposta enfermeira perguntou se a jovem conhecia uma criança recém-nascida que precisasse de acompanhamento médico. “Ela acabou indicando a mãe da minha menina”, lembra William.
Prematuro, o bebê nasceu após seis meses de gestação. De acordo com o pai, a menina está bem de saúde.
Imagens
A delegada Ivana Timbó, titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), que investiga o caso, ouviu, na tarde de ontem, os pais do bebê raptado e a adolescente que é amiga da família. As imagens das câmeras de vigilância da clínica foram recolhidas pela delegacia.
Nos vídeos, é possível ver a mãe da criança chegando com o bebê nos braços, acompanhada da suposta enfermeira. A mulher transita pela recepção e, momentos depois, sai da clínica com a criança nos braços.
A delegada descartou a possibilidade de que a adolescente que apresentou Juciany à mulher tenha alguma ligação com o rapto. “Elas demonstram ter um
excelente relacionamento. Segundo elas, são amigas desde crianças e se dão muito bem”, disse Ivana Timbó.
A reportagem esteve na clínica onde ocorreu o rapto da criança. Uma funcionária informou que apenas os proprietários da clínica poderiam se pronunciar sobre o fato.
O Povo





