
O início de setembro traz a percepção de mudanças no tempo. Não apenas a impressão de que os meses terminados em “bro” voam em direção do fim do ano. No último quadrimestre, os moradores das zonas urbanas experimentam a sensação de que o calor castiga com mais força. Em Fortaleza, poucas chuvas e alta umidade do ar fazem com que os dias pareçam mais quentes. Nas cidades do Interior, é a baixa umidade do ar que aumenta o risco de queimadas.
No Ceará, o céu aberto é predominante nos últimos meses do ano. Poucas nuvens servem de bloqueio para os raios do Sol, que incidem diretamente sobre o solo. Segundo o meteorologista Raul Fritz, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a tendência é o aumento da sensação de calor a cada mês. Em Fortaleza, ela pode ser atenuada quando os altos índices de umidade relativa do ar dificultam a evaporação do suor. Sem o resfriamento natural da pele, o corpo sente o tempo ainda mais quente.
No interior, a baixa umidade do ar traz a sensação de que a temperatura é mais fria do que a registrada. A medida indica a quantidade de água existente no ar. De acordo com Raul Fritz, os baixos índices facilitam o aparecimento dos focos de queimadas, que devem aumentar até o fim do ano.
Fatores relacionados à urbanização refletem no aumento das temperaturas na Capital, que se mantêm em uma média de 30 graus Celsius nos últimos quatro meses do ano. Raul Fritz explica que a cidade passa pelo fenômeno climático denominado “ilha de calor”. O vento do mar esbarra nos altos prédios da orla e chega com dificuldade ao resto da cidade. Os processos de evaporação e evapotranspiração são dificultados pela impermeabilização do solo, coberto por asfalto, e pelas poucas árvores. “Para que as temperaturas sejam mais amenas, é importante que haja um planejamento de áreas verdes nas grandes cidades”, defende o meteorologista.
Chuvas
De acordo com o meteorologista Raul Fritz, as precipitações dos últimos quatro meses de 2013 devem seguir o padrão histórico do Estado, com chuvas rápidas e restritas a um ou dois municípios. De setembro a dezembro de 2012, choveu apenas 10.1 milímetros em todo o Estado. O volume foi 82% menor que o esperado pela Funceme. No mesmo período do ano anterior, as chuvas chegaram a 64.2 milímetros, ultrapassando o esperado em 8%.
Com as poucas chuvas, o abastecimento de água tende a ter mais problemas. Os reservatórios do Estado estão com 39,6% da capacidade. Dos 145 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 81 têm volume inferior a 30%. Os dados são da última sexta-feira, 30. Em pouco menos de um mês, o volume de água armazenada sofreu redução. Conforme O POVO publicou no dia 2 de agosto, o Ceará tinha 41,3% da capacidade total.
O Povo





