FORTALEZA: Operação da Guarda apreende 12 adolescentes em terminal

Doze garotas, com idades entre 11 e 16 anos, foram apreendidas no Terminal do Siqueira, em Fortaleza, na madrugada...

As jovens apreendidas foram levadas, em uma Kombi, para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) (Foto: Edimar Soares/O POVO)

Doze garotas, com idades entre 11 e 16 anos, foram apreendidas no Terminal do Siqueira, em Fortaleza, na madrugada de ontem, durante operação realizada por agentes da Guarda Municipal e Defesa Civil de Fortaleza (GMF). Com uma das jovens, de 16 anos, foi encontrada uma pequena quantidade de maconha.

Segundo denúncias recebidas pela Guarda Municipal, o terminal funciona, durante a noite, como ponto de prostituição, de uso de drogas e de assaltos, praticados ali mesmo, dentro dos banheiros ou na fila dos coletivos. Em sua maioria, os delitos são cometidos por adolescentes, que agem em grupo.

“Elas ficam sentadas nos bancos, só observando o movimento. Quando alguma mulher entra sozinha no banheiro, elas atacam. Só andam armadas com facas e tomam tudo o que a pessoa tiver. Depois, saem correndo e voltam mais tarde, para assaltar de novo. Quando a gente pode, tenta avisar as pessoas. Mesmo assim, são pelo menos 10 assaltos por dia. Tem até arrastão”, descreve uma funcionária do estabelecimento, que pede para não ser identificada.

Infância e drogas

Dentre as garotas aprendidas, que se amontoavam no veículo do Juizado da Infância e Juventude de Fortaleza, chamava a atenção uma criança de 11 anos. A menina, de corpo franzino e visivelmente desnorteada, tagarelava dentro do carro e não se intimidava com a presença da Polícia e da imprensa.

Questionada pelo O POVO sobre o que fazia no terminal, em plena madrugada, respondeu: “Eu tava indo pra casa da minha avó porque os meus pais brigaram. Todos dois bêbados, batendo um no outro. Aí eu saí de casa, tio. Eu não tava fazendo nada não”, dizia.

Segundo os funcionários do terminal, a menina é considerada uma das traficantes mais perigosas do local. “Hoje mesmo ela fez um arrastão no banheiro. Ela e mais duas, armadas de facas. A gente encontra é muito faca no banheiro. A Polícia chegou tarde. Fosse mais cedo, seria preciso um caminhão pra carregar todas elas”, disse uma mulher.

Sorrindo, as garotas diziam estar de passagem pelo terminal, pois seguiam para uma festa no bairro Serrinha, quando foram abordadas pelos agentes. Na ânsia de serem liberadas, parte delas ligou para os pais, chamando-os até o terminal. Algumas foram impedidas pelas colegas “experientes”. “Mulher, deixa de besteira. Isso aqui não vai dar em nada. Amanhã a gente tá solta. Vamos só ali comer de graça”. Duas delas foram liberadas ainda no terminal. O restante foi conduzido para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

O Povo

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