A interdição de unidades prisionais, determinada pela Justiça na última quarta-feira (23), tem preocupado os policiais civis. Por conta disso, o inspetor e presidente do Sindicato dos Policias Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpoolce), Gustavo Simplício, disse que a categoria pode entrar em greve na próxima semana, paralisando todas atividades.
De acordo com Simplício, a categoria irá aguardar por uma resolução da justiça até a próxima segunda-feira (28). Caso não se resolva, haverá uma assembleia dos policiais na terça ou quarta-feira. “Os presídios são bem mais humanos do que as delegacias. É muito fácil: o juiz resolve os problemas deles e joga para a Polícia Civil”.
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) estabeleceu a interdição por considerar que os presídios violam a dignidade da pessoa humana, devido à superlotação e à estrutura física inadequada dos presídios. Entretanto, Simplício rebate, dizendo que as delegacias não são lugares apropriados para manter os presos. “Isso é tortura, e o juiz não vê isso”.
Ele conta que as celas medem aproximadamente 4 metros quadrados e comportam, no máximo, três presos. A realidade, no entanto é bem diferente. Segundo o presidente, hoje as delegacias já estão com 200 presos vivendo em condições inadequadas. “Eles dormem no chão, (as celas) não têm ventilação e iluminação”.
O inspetor cita como exemplo a rebelião na Delegacia de Capturas (Decap) na última quarta-feira, em que os presos reclamavam das condições precárias às quais estavam submetidos. “Eu vi pessoalmente que os presos dormiam do lado de lixo, e havia fiação exposta no local. Nem animal pode ser criado nessas condições”, diz o inspetor.
O Tribuna do Ceará entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Tribuna do Ceará





