
A solidariedade e união de moradores do bairro São João do Tauapé, em Fortaleza, e da Guarda Municipal marcaram o parto de um bebê realizado na última segunda-feira, 4, de forma improvisada, no chão de uma residência localizada na avenida Monsenhor Salazar.
“Nunca pensei que fosse passar por uma sitação como essa”, conta Kathleen Lopes, 24 anos, supervisora de call center, que participou do parto. Kathleen chegava a um pet shop situado na avenida, por volta das 19h, quando ouviu os gritos da mulher, já em trabalho de parto, caída na calçada. Ela estava sendo amparada por guardas municipais. Um deles segurava nos braços outro filho da gestante, que não teve a identidade revelada. Eles aguardavam pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Ela gritava: vai nascer, vai nascer!”, diz Kathleen.
Um estudante de medicina que mora perto do local foi chamado, e constatou que as contrações aconteciam em intervalos cada vez menores. O grupo, então, decidiu levar a grávida para dentro de uma residência próxima a fim de realizar o parto. “Na hora, o momento mais difícil mesmo é a decisão, se você vai participar ou não. A gente se dá conta que se nao fizer nada, o pior pode acontencer”. A ambulância de um hospital particular na Capital parou no local, mas quem estava no veículo explicou que não poderia fazer o transporte da mulher, pois não era permitido. Eles deixaram luvas cirúrgicas com o grupo. A reportagem não conseguiu confirmar a qual hospital pertencia a ambulância que negou atendimento à gestante.
“Nós batemos na porta de uma casa em frente e pedimos ajuda. O morador colocou um pano e um travesseiro no piso da sala onde nós deitamos a mulher. Com dez minutos, a cabeça do bebê já estava aparecendo”, relembra Kathleen, que fala ter se emocionado. “O nenê era muito lindo, um menino. Foi uma emoção sem igual”.
Na casa, não havia qualquer instrumento para o corte do cordão umbilical. A criança foi coberta por um pano e o grupo ficou à espera do Samu, que chegou cerca de 30min depois, e finalizou o procedimento cirúrgico.
“O ato de parir é natural. Nós só garantimos que tudo corressse bem. Graças a Deus, várias pessoas trabalharam para o nascimento do bebê”, comemora Kathleen.
Após o procedimento, mãe e filha foram encaminhadas ao Hospital Geral César Cals.
O Povo Online





