
Mesmo com o frio de 19ºC, a chuva fina, a maré que subia, reduzindo a faixa de areia, e a falta de energia que deixou o metrô parado por duas horas, cerca de 500 mil pessoas se reuniram ontem na praia de Copacabana para acompanhar a missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude, que começou às 19h30.
A Jornada é um encontro internacional de jovens católicos, idealizado pelo papa João Paulo 2º em 1985. Seu roteiro inclui encontros religiosos em paróquias, missas celebradas em diversos idiomas e atrações culturais, como festivais de música e exposições de arte.
Os chamados “atos centrais” reúnem as principais celebrações de uma JMJ, incluindo a missa com o papa. Por volta das 15h, as ruas do bairro da zona sul carioca pareciam uma assembleia geral da ONU. Bandeiras de vários países eram carregadas por grupos de religiosos que saltavam das estações do metrô -que naquele momento ainda funcionavam.
Muitos tiravam marmitas das mochilas coloridas e sentavam nas calçadas, sob as marquises, para almoçar. Filas se formavam na porta de bares e restaurantes, principalmente os mais baratos. Nos ônibus e vagões de metrô, grupos entoavam cânticos religiosos em vários idiomas.
Às 16h19, um problema na rede elétrica paralisou o metrô, que só voltou a funcionar às 18h32. Muitos peregrinos que estavam no Centro decidiram caminhar até Copacabana, em um trajeto de cerca de 10 quilômetros.
Abertura
“Celebro essa missa em intenção de todos os jovens do mundo”, anunciou o arcebispo do Rio de Janeiro, d. Orani Tempesta, na missa solene que abriu oficialmente a Jornada Mundial da Juventude. Centenas de bandeiras trazidas por delegações de 175 países se agitaram à luz dos holofotes que iluminavam o altar monumental na Praia de Copacabana, numa manifestação de euforia e entusiasmo que continuariam até o fim da cerimônia.
Em seguida, d.Orani enumerou os jovens que mais entravam em sua lembrança, das vítimas dos massacres da Candelária e de Vigário Geral, no Rio, a todos os jovens perseguidos, os exterminados pelo vício e pela exclusão, os jovens sem pátria e os marginalizados pela vida. Citava exemplos trágicos de sua cidade, mas estendia as intenções da missa a todos os jovens do mundo.
Boa parte da homilia foi para dar boas vindas aos participantes da JMJ, mais de 350 mil inscritos. Inicialmente o diretor de Comunicação da Jornada, padre Márcio Queiroz, disse que estimava em mais de 500 mil presentes. Ao final da missa, os organizadores chegaram a falar em 1 milhão de pessoas. A PM estimou em 500 mil.
O Povo




