
Principal testemunha de acusação a depor no primeiro dia do júri do Massacre do Carandiru, o agente penitenciário Moacir dos Santos, 64, afirmou ontem que o que ocorreu em 2 de outubro de 1992 no Pavilhão 9 foi “execução”.
Segundo ele, os policiais, ao entraram, fuzilaram os detentos, inclusive os que estavam rendidos e nus. “Vi um tapete de corpos”, definiu.
A defesa dos 26 policiais em julgamento afirma que eles reagiram a agressões dos presos, que estavam rebelados e planejavam fugir. A advogada Ieda de Souza disse que só se pronunciará após o júri.
Na época, Santos era diretor da Divisão de Segurança e Disciplina, autoridade número 2 do presídio. Ele afirmou que foi avisado às 13 horas de briga entre dois grupos rivais do Pavilhão 9.
Nenhum funcionário havia sido ferido ou feito de refém, afirmou. Moacir disse que os policiais atiraram em detentos que já estavam prontos para se entregar e não tinham relação com a briga que acontecia dentro do presídio.
O júri deve continuar hoje com o depoimento das testemunhas da defesa.
O Povo





