46 pessoas esperam por um leito de UTI no Ceará

O Ceará possui, atualmente, 46 pessoas aguardando por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em Fortaleza, são...

O Instituto José Frota (IJF) é o hospital que tem mais pacientes na fila de espera por um leito de UTI: 33 (Foto: Mauri Melo/O Povo)
O Instituto José Frota (IJF) é o hospital que tem mais pacientes na fila de espera por um leito de UTI: 33 (Foto: Mauri Melo/O Povo)

O Ceará possui, atualmente, 46 pessoas aguardando por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em Fortaleza, são 38 pacientes na fila, 33 somente no Instituto José Frota (IJF).

Segundo as secretarias municipal e estadual da saúde, existem 528 leitos de UTI no Ceará, sendo 173 no Interior. Os leitos estão disponibilizados em hospitais públicos e da rede conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O déficit de leitos resulta em filas e muita angústia para pacientes e familiares.

A espera já é de 46 dias para a família de Maria Lopes Nogueira, 72, internada no IJF desde o dia 23 de julho, após sofrer um atropelamento no Centro de Paraipaba, a 93 quilômetros de Fortaleza. Segundo familiares de Maria, desde a chegada dela ao hospital a indicação dos médicos era a internação em uma UTI. No entanto, eles têm ouvido, dia após dia, que não há vaga. Além dos traumas causados pelo acidente, a idosa está com infecção hospitalar, afirmaram.

“O hospital não diz isso, mas a gente sabe que é pela idade, eles acham que ela tem poucas chances e não querem ocupar uma vaga com ela”, comentou a neta Karen Nobre, informando que a avó está na área de Risco 1.

De acordo com a assessoria de imprensa do IJF, a área de Risco 1 foi criada para atender à demanda da UTI (que sempre está lotada). No local, são realizados os mesmos cuidados da Terapia Intensiva, com equipe 24 horas, apesar de não ser credenciado como UTI, argumentou a assessoria.

Conforme Mozart Rolim, gerente do Complexo Regulatório da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), apesar da fila de espera e do tempo serem significativos em alguns casos, a situação tem melhorado, principalmente, se for levado em conta a diminuição dos leitos de UTI dos últimos anos.

Segundo ele, esse achatamento das vagas se deve ao fechamento de muitos hospitais que prestavam serviço ao SUS e ao fato de o leito de terapia intensiva ser muito caro pelo nível de medicamentos, equipamentos e profissionais que exige.

Prioridades para UTI

Apesar dos casos indicados para UTI necessitarem de uma atenção especial pela gravidade, um sistema de prioridades comanda a forma como a regulação de leitos é feita. Segundo Mozart Rolim, o paciente é enquadrado em uma grade de prioridades que leva em consideração: a reversibilidade da doença aguda, o grau de disfunções e o uso de suporte, equipamento utilizados para manter a fisiologia do doente.

E, além do quadro do paciente, o perfil do leito também precisa ser levado em conta, explica Mozart, tanto no que diz respeito se o leito é adulto, pediátrico ou neonatal, assim como se a unidade tem possibilidade de assistir as necessidades do paciente.

O gerente do Complexo Regulatório ressalta que a UTI é um local que reúne as condições clínicas para o melhor monitoramento e assistência ao paciente. “A falta de vaga da UTI não justifica falta de atendimento ou atraso de um tratamento”, disse.

Para melhorar a situação atual, uma vez que a necessidade de leitos de UTI é crescente, ele indica a necessidade de investimento e melhorias no atendimento dos municípios, assim como no acompanhamento das doenças das pessoas. Para ele, hoje a fila consegue andar melhor e com fluxo mais humanizado do que antes.

O Povo

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