FORTALEZA: Agentes de Endemiais entram em greve

Agentes de endemias da Prefeitura de Fortaleza deflagraram greve na manhã de ontem. Entre as funções da categoria, está...

Agentes de endemias da Prefeitura de Fortaleza deflagraram greve na manhã de ontem. Entre as funções da categoria, está a prevenção e o combate à dengue. Embora o Ceará tenha registrado queda de 82,92% de casos confirmados da doença no primeiro trimestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado, especialistas alertam para risco de aumento de ocorrências no fim da quadra chuvosa.

“Este ano, estamos tendo uma redução bem importante, mas não podemos fraquejar. Estamos no período de chuva e, se chover de fato, pode aumentar a infestação. Nesse momento, é importante reforçar a visitação nas casas, que representam de 80% a 90% dos focos de dengue”, explica Antônio Lima, coordenador da Célula de Vigilância Epidemiológica do Município.

Para Eddie William de Pinho, epidemiologista e professor do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), a utilização de agentes na política de combate à dengue é indispensável, pois é, “acima de tudo, uma medida educativa”. “Essa ação é essencial na medida em que a população ainda não se apropriou do controle da doença e o mosquito se reproduz dentro das casas”, explica.

Nélio Morais, coordenador de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informa que aproximadamente 1.500 agentes atuam no combate de endemias em Fortaleza, responsáveis por atender 1 milhão e 86 mil imóveis na Capital. O coordenador afirma não ter recebido comunicado oficial sobre a greve. Ainda assim, pondera que, “em caso de paralisação dos agentes, poderíamos ter uma elevação descontrolada do índice de infestação. E é através da ação dos agentes que mapeamos a doença e agimos no controle”.

De acordo com Osmar Viana, diretor do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Sanitaristas no Estado do Ceará (Sinasce), dos 4.106 profissionais, 30% deverão continuar com suas atividades normalmente.

Dengue

Segundo Antônio Lima, o Ceará passa por um “ano atípico”, em que fatores como a diminuição do volume de chuvas e as imunizações causadas pelo contato com a doença durante a epidemia observada no ano passado podem explicar o menor número de casos confirmados de dengue em 2013.

PROGRAMA SAÚDE DA FAMILIA – Além dos agentes de endemias, deflagraram greve os agentes do Programa Saúde da Família (PSF). Em manifestação na Praça do Ferreira, as categorias reivindicaram reajuste salarial de 34% e melhores condições de trabalho. O aumento proposto pela Prefeitura é de 5,83%.

“É o menor salário do quadro da Prefeitura”, garante Osmar Viana, diretor do Sinasce. Além da remuneração, segundo o diretor, os agentes têm direito a insalubridade, incentivo de campo, vale-transporte e alimentação. No entanto, de acordo com a agente de saúde Maria Sousa, trabalhadores precisam gastar do próprio bolso para custear o material de trabalho, inclusive protetor solar, cópias de formulários e fardamento. “A gente ganha tão pouco e ainda gasta com roupa”.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio de nota, informou que o reajuste de 5,83% dos agentes é o aplicado aos outros servidores públicos. A SMS também relatou que o fornecimento de material de trabalho aos profissionais já foi restabelecido, assim como a distribuição de protetor solar.

O Povo

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