Mais de 4 mil pessoas aguardam por uma cirurgia eletiva no Ceará

Há cerca de quatro meses, Luís Claudionilton Pereira parou de trabalhar. Culpa das dores causadas por duas hérnias. O...

Ciro Gomes disse que levaria pacientes à espera de procedimento na Capital para serem operados no Hospital Regional Norte (FOTO: ANDRÉ SALGADO/O POVO)
Ciro Gomes disse que levaria pacientes à espera de procedimento na Capital para serem operados no Hospital Regional Norte (FOTO: ANDRÉ SALGADO/O POVO)

Há cerca de quatro meses, Luís Claudionilton Pereira parou de trabalhar. Culpa das dores causadas por duas hérnias. O mestre de obras de 57 anos, morador da praia de Morro Branco, em Beberibe (litoral leste), esteve na última semana em Fortaleza para buscar novamente as cirurgias de que precisa. Não conseguiu. “(No Hospital Geral de Fortaleza-HGF) informaram que não estão fazendo cirurgia”, diz. Com a negativa, Luís segue esperando. “É complicado. A solução é esperar. Vou ficar tomando remédio pra dor passar até a hora que surgir vaga. Seja o que Deus quiser”, lamenta.

Assim como Luís, pelo menos outros 4.571 cearenses aguardam cirurgias eletivas (sem urgência) no Estado. O número se refere aos 2.781 pacientes que esperam no HGF e no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) por cirurgias ortopédicas e aos 1.791 que precisam de cirurgias gerais no HGF.

Procurada, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) não informou o tamanho real da fila de espera por cirurgias eletivas, que pode ser bem maior. Por nota, a Sesa informou não haver um detalhamento dos pacientes por unidades: “O secretário da Saúde do Estado, Ciro Gomes, está definindo uma chamada pública para ter a quantidade de pacientes que aguardam cirurgias eletivas por especialidades. A partir daí, a Secretaria da Saúde do Estado, através da Central de Regulação, encaminhará pacientes tanto de hospitais públicos do Interior para a Capital como da Capital para o Interior”.

No último sábado (12), O POVO publicou que 268 pacientes esperam por neurocirurgias no Estado. Titular da Sesa, Ciro Gomes (Pros) anunciou que levará pacientes que esperam pelo procedimento na Capital para serem operados no Hospital Regional Norte, em Sobral.

Solução na Justiça
Para a estudante Luana Rodrigues, 23, só a Justiça conseguiu apressar o fim do sofrimento. Dois anos e meio atrás, a estudante, moradora de Ipu (294 km de Fortaleza), sofreu um acidente de moto e fraturou a perna direita. Precisava de pinos e placas para sustentar o andar e deixar para trás a cadeira de rodas. “Estava sendo atendida no Hospital das Clínicas (HUWC), aí ficaram naquele negócio de venha hoje, venha amanhã. Fui pra fila de espera e fiquei com ferimentos que começaram a necrosar. Os médicos disseram que se eu não cuidasse logo corria risco de amputar a perna”, conta. Para a cirurgia, porém, faltava material. Um médico do hospital aconselhou a Luana buscar a Justiça.

A estudante foi à Defensoria Pública da União (DPU), que ingressou na Justiça. Ganhou a causa e a chance de melhorar. Operou-se em setembro. Vai começar a fisioterapia para voltar a caminhar. “Se não tem (material) é uma coisa. Mas, quando você corre atrás, num instante aparece! Se não fosse atrás da Justiça, até hoje eu estaria na fila”, lamenta.

Defensora do Núcleo de Defesa da Saúde da Defensoria Pública do Estado, Sheila Florencio Alves Falconeri diz receber por dia um pedido para que a defensoria busque na Justiça uma operação. São pedidos para cirurgias de hérnia, angioplastias, colocação de próteses e órteses. De março (um mês depois da criação do núcleo) até 30 de setembro, foram 339 “obrigações de fazer” que a defensoria conseguiu na Justiça.

O Povo

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