
Estudantes de universidades públicas têm um prazo máximo para concluir os cursos de graduação. Em termos gerais, esse prazo corresponde ao tempo normal de duração do curso mais 50%. Isso significa que um aluno que escolhe, por exemplo, um curso com duração de quatro anos, tem seis anos para concluir a graduação, sob o risco de ser desligado da instituição. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) criou um programa para regularizar alunos que excederam o tempo limite de conclusão e os estudantes que perderem os prazos podem ser desligados cumpulsoriamente.
Cerca de 2.300 alunos da Uece – de um universo de 18 mil estudantes da universidade – estão nesta situação. “São alunos que excederam, em muito, o tempo de permanência na Uece. Temos um caso de um estudante que veio para a Uece em 2002 – já transferido de outra instituição de ensino e que, 11 anos depois, ainda não se graduou”, diz a professora Marcília Chagas Barreto, Pró-Reitora de Graduação da Uece.
Esses “atrasos” na conclusão dos cursos geram um custo alto para a instituição, segundo a pró-reitora.”A grade curricular dos cursos muda e nem sempre é possível “equiparar” as disciplinas de um curso iniciado há 10 anos, por exemplo, com o mesmo curso que teve a grade curricular modificada. Isso faz com que a Universidade seja obrigada a oferecer disciplinas de uma grade antiga para dois alunos, por exemplo. Para uma instituição que passou sete anos sem contratar professores e até perdendo muitos – por aposentadorias e desligamentos voluntários – é um desperdício do dinheiro do contribuinte”. Além disso, segundo a professora, a Universidade fica impossibilitada de abrir mais vagas para novos alunos.
Para tentar equacionar os problemas decorrentes dessa realidade, a Uece criou o Programa de Acompanhamento Discente (Pradis) que consiste em conduzir os alunos que excederam o tempo de integralização curricular, para a conclusão do curso no menor tempo possível. “A coordenação de cada curso formatou um plano individual de cada aluno nesta situação, especificando as disciplinas que deveriam ser cursadas e com um prazo para que essa grade curricular seja cumprida e, consequentemente que esse aluno se forme”, explica a Pró-Reitora.
Segundo a Pró-Reitora, esses alunos, ao tentar realizar a matrícula on-line, recebiam a informação de que teriam de comparecer à Pró-Reitoria de Graduação para realizar a matrícula presencial, com a consequente anuência dos termos estabelecidos para a conclusão do curso. A matrícula on-line foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de julho e os estudantes foram convocados para fazer a matrícula presencial nos dias 18, 19 e 22. “Estivemos de plantão – eu e mais uma grande equipe – das 8 às 20h30 esperando para fazer essas matrículas”.
“Esses estudantes ainda tinham prioridade, frente aos outros alunos regulares, para realizar as matrículas nas disciplimas determinadas. Depois do prazo estabelecido, vieram tentar reverter a situação, mas aí não tínhamos mais como abrir exceções”, explica a professora Marcília Chagas Barreto.
A estudante do curso de Pedagogia Quilxis Lima Vasconcelos é uma dessas estudantes. Ela ingressou na Uece em 2005 e deveria ter concluído os estudos até, no máximo, em 2011, o que não aconteceu. Ela conta que que não conseguiu realizar a matrícula on-line, mas que não recebeu orientação para a matrícula presencial. “Quando fui procurar a coordenação do meu curso, também não souberam me informar e quando fui até a Pró-Reitoria me disseram que não tinha mais jeito de fazer a matrícula”, diz.
G1 CE




