IGUATU: 25 comunidades estão sem receber água de carros-pipa

Pelo menos 25 localidades na zona rural de Iguatu não estão recebendo os caminhões da Operação Carro-Pipa desde o...

O agricultor aposentado Paulo Dias Oliveira perdeu totalmente sua pequena plantação de feijão e milho e ainda tem que enfrentar a ausência do socorro governamental (Foto: Edimar Soares/O Povo)
O agricultor aposentado Paulo Dias Oliveira perdeu totalmente sua pequena plantação de feijão e milho e ainda tem que enfrentar a ausência do socorro governamental (Foto: Edimar Soares/O Povo)

Pelo menos 25 localidades na zona rural de Iguatu não estão recebendo os caminhões da Operação Carro-Pipa desde o ano passado. A ação, comandada pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Ceará (Cedec), tem um único carro-pipa para todo o município, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores(as) Rurais de Iguatu. Um plano de trabalho foi encaminhado, pelo Sindicato, em 31 de outubro, à Cedec apontando as 12 comunidades com demanda mais urgente por água.

Entre elas, o acidentado e íngreme sítio Mirasul, onde mora dona Socorro Oliveira Moreno. Mãe de quatro filhos e avó de uma menina, ela debandou para a sede da cidade durante alguns meses quando a secura apertou e o cacimbão ainda não estava disponível. O caminhão-pipa veio três vezes e só até agosto. As famílias que residem em Mirasul conseguiram autorização da proprietária para retirar água do poço em seu terreno. Depois disso ela voltou.

Mas não dura muito tempo. “Não vamos ficar aqui morrendo de sede. Daqui a duas semanas não tem mais água de jeito nenhum”, diz. Outros moradores também estão pensando em fazer o mesmo. É o caso do agricultor aposentado Paulo Dias Oliveira que perdeu totalmente sua pequena plantação de feijão e milho. Algumas casas da comunidade já estão abandonadas.

Ainda na listagem encaminhada à Defesa Civil, o sítio Belo Monte. A pipa abasteceu, no último dia 6 de outubro de 2012, um dia antes das eleições, a cisterna de placa que a família da aposentada Joana Araújo Cavalcante construiu atrás da casa. Eles bebem dessa água – que já está prestes a se acabar. É também desse reservatório que se utilizam a filha Ana Lúcia Soares, seus dois filhos e o marido. A água fornecida aos animais e também usada para lavar roupa ou cozinhar retiram de um poço a alguns metros, mas o líquido é salgado.

Quando acabar, “ou a gente toma água salgada mesmo ou vai ter de pegar na (comunidade) Botelha, em Acopiara”. Belo Monte dista cerca de um quilômetro da outra cidade. O percurso teria de ser realizado a pé ou no lombo de algum animal. Não longe dali, na localidade Bom Jesus, a aposentada Rita Araújo de Carvalho nem sabe mais quantos pés de laranjeiras morreram. Das 48 ovelhas, restaram apenas 10. A água que a família bebe também está com os dias contados.

Atraso
Segundo o coordenador da Defesa Civil no Ceará, coronel Tavares, a ausência de carros-pipa nas localidades deve-se ao atraso de um mês no pagamento – por parte do Governo do Estado – da empresa responsável pelo abastecimento d’água.

De acordo com o coronel, houve mudanças na forma como a Defesa Civil nacional faz o repasse de recursos para os Estados, o que acabou gerando a dificuldade no pagamento. “Mas já estamos pagando de hoje para amanhã. Até sexta-feira, todos os pipeiros já estarão com o dinheiro em conta”, garantiu.

O Povo

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