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Igrejas católicas tornam-se alvo de assaltos no Interior

A insegurança chegou às igrejas do Interior. Registro de furtos e roubos de objetos sacros, equipamentos e instrumentos ocorrem em todas as regiões do Estado. Os ladrões não respeitam mais os templos religiosos que precisam reforçar segurança, fechar portas fora dos horários de celebração, contratar vigias, seguranças e instalar grandes em seu entorno.

Nas cidades de Crateús, na região dos Inhamuns, e de Russas, no Vale do Jaguaribe, por exemplo, os assaltos aos templos religiosos intensificaram-se nos últimos dois anos. A violência começa migrar com mais intensidade das ruas, do comércio, para dentro dos templos religiosos. Os padres mostram-se preocupados e têm uma avaliação comum: “Os ladrões não respeitam mais a Casa de Deus. Perdeu-se o temor”.

Em Crateús, três igrejas já sofreram violações. A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Venâncios, foi assaltada cinco vezes, sendo três ocorrências em 2012 e duas neste ano. A Igreja de Santa Terezinha registrou um roubo no ano passado. O último caso ocorreu na madrugada do dia 12 passado, na Igreja de N. Sra. do Perpétuo Socorro, no Distrito de Montenebo, onde homens invadiram o templo no primeiro dia dos festejos da padroeira e levaram equipamentos de som e dinheiro de doações dos fiéis. Na Igreja de N. Sra. de Fátima, os assaltantes levaram, materiais doados pelos fiéis para um leilão e valores em dinheiro. Arrombaram a janela de madeira e entraram no local. Depois do episódio, o cofre da igreja fica sempre vazio. “Arrombaram o cofre que agora fica sem dinheiro”, afirma Ana Maria Oliveira, servidora da paróquia.

Nos assaltos seguintes, levaram até o terço da imagem principal de Nossa Senhora de Fátima. Para conter os assaltos, a igreja substituiu algumas janelas por vitrôs – feitos de ferro e vidro – na esperança de dificultar a ação dos infratores.

Na Igreja de Santa Terezinha os elementos agiram na Capela do Santíssimo Sacramento. Violaram o local em busca dos cálices e âmbulas. Levaram os objetos sagrados e, inclusive, hóstias consagradas. O imóvel que está em construção foi reforçado com varandas nas laterais, a fim de dificultar roubos.

Em Quixeramobim, no Sertão Central, o ataque à Igreja Matriz de Santo Antônio, em agosto, é mais um exemplo da falta de segurança nos tempos religiosos católicos. As investidas de malfeitores, principalmente de usuários de drogas, desocupados e vândalos, estão se tornando constantes.

O padre Ribamar Filho, responsável pela Paróquia Jesus Maria José, em Quixadá, confirma. “O jeito foi colocar grades no entorno da igreja, mesmo contrariando a vontade de boa parte dos fiéis”, disse o religioso.

O padre Ribamar Filho revelou que já foi buscar até a toalha do altar em uma “boca de fumo”. Apesar da instalação das grades, as tentativas de arrombamento continuam e já houve esforço para arrancar o cofre da igreja, mas acabaram desistindo. Os prejuízos para o acervo religioso não são maiores porque as peças de maior valor não ficam mais expostas.

Em Russas são frequentes as ações de ladrões em algumas igrejas do Centro da cidade. De acordo com o responsável pela Paróquia Nossa Senhora do Rosário, padre Marcos Augusto, só este ano já foram cerca de dez invasões a igrejas.

“Essa situação já vem nos preocupado há algum tempo, estamos vendo a possibilidade de instalar câmeras de monitoramento para tentar melhorar a segurança, mas o equipamento é muito caro”, lamentou.

Segundo ele, os principais alvos são a Igreja Matriz N. Sra. do Rosário e o Santuário N. Sra. de Fátima. Nas ações, foi levado o dinheiro das ofertas dos fiéis. O pároco também afirmou contabilizar prejuízos com arrombamento de portas. “O que eles costumam levar é tão pouco que acredito que sejam pessoas viciadas em crack que utilizam desse dinheiro para comprar drogas”.

Na semana passada, a capela na comunidade de Lagoa Escura foi assaltada por bandidos e na ação foram levadas as cadeiras e todo o equipamento de som.

Cariri

Na região do Cariri, a segurança nas igrejas tem sido uma das preocupações, principalmente nos locais de maior movimentação de fiéis, a exemplo de Juazeiro do Norte. Nos últimos anos, há tranquilidade nos templos católicos. O último registro de assalto a objetos sacros ocorreu na Basílica de N. Sra. das Dores, em 2007. Uma peruca da imagem de Jesus dos Passos, um manto e a Coroa de Espinhos foram levados de dentro da igreja, e mesmo com uma campanha de apelo não foram devolvidos.

Os artigos foram trazidos pelo Padre Cícero da Europa e eram considerados relíquias históricas. Ainda se alegou não haver um valor financeiro. Mas, foi exatamente nesse período que se buscou fortalecer a segurança de um dos templos mais movimentados da região. Câmeras foram instaladas na área interna e externa da igreja.

Durante a romaria de N. Sra. das Dores, é reforçada a segurança, incluindo a área do Museu Paroquial, como também na parte externa com agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar. “Não temos nos últimos anos registro de furtos e roubos, apesar da intensa movimentação”, explica o padre Joaquim Cláudio, vigário da Basílica.

Os dirigentes da Igreja de São Vicente Ferrer, Santuário Eucarístico Diocesano, no Centro do Crato, também, sofrem o medo de roubos e assaltos. As ações de criminosos acontecem tanto no interior do templo religioso, como em suas imediações.

Há cerca de dois anos, um assalto foi registrado na secretaria da igreja. Armados, os bandidos levaram dinheiro, além de imagens de santos e alguns terços. Houve pânico por parte dos funcionários. Furtos ainda acontecem no local. “No início da semana, um homem arrombou o cofre das oferendas. Até o confessionário já foi arrombado”, comenta o sacristão da igreja, João Leite Oliveira, conhecido por Joãozinho.

Na tentativa de diminuir o número de delitos, foram instaladas 12 câmeras de segurança na área interna. Destas, quatro possuem sistema de filmagem em infravermelho. “Nós também contamos com a colaboração da comunidade que, através de doações, auxiliam no pagamento de um segurança privado”, informa o sacristão.

Centro-Sul

Na região Centro-Sul do Ceará, o mais recente registro de furto de objetos de igrejas, ocorreu no ano passado, quando foram levadas as joias que adornavam a imagem de N. Sra. Aparecida, exposta em um nicho na Igreja Matriz de N. Sra. do Perpétuo Socorro, no bairro Prado, em Iguatu. Apesar da aparente tranquilidade, os padres dizem que é preciso estar sempre vigilante e reforçar a segurança.

“Não podemos nos descuidar”, disse o vigário geral da Diocese de Iguatu, padre Afonso Queiroga. “Existem os oportunistas que aproveitam a ocasião e levam instrumentos, equipamentos ou objetos sacros”. O furto das joias da imagem da Padroeira do Brasil ocorreu durante a noite e só foi descoberto no dia seguinte. “A gente suspeita que o ladrão ficou escondido dentro da igreja e saiu na madrugada. Ele quebrou o vidro e teve fácil acesso às jóias”.

Havia brincos e cordões de ouro de significativo valor econômico que foram doados por devotos católicos para adornar a imagem de N. Sra. Aparecida. Há cerca de cinco anos, foi furtado um violão elétrico também da Igreja Matriz no Prado, depois do ensaio do grupo de cântico e animação das celebrações.

No dia a dia, a maioria das igrejas permanece fechada. É uma medida de segurança. Poucos são os templos que ficam abertos além dos horários das celebrações de missas, adoração, casamento e batizados. “A gente só expõe microfone e objetos sacros como cálices na hora da celebração”, disse o padre Carlos Roberto Alencar, da Matriz de Sra. Sant´Ana em Iguatu.

Na Zona Norte do Estado o último relato de assalto relacionado com a Igreja foi em março, quando o padre Bosco Linhares foi assaltado quando saia de uma celebração na Igreja da Ressurreição. Na ocasião, os bandidos levaram R$ 20,00 e o padre enfrentou momentos de susto e apreensão. Não há registro de arrombamentos.

O vigário geral da Diocese de Sobral, padre Gonçalo de Pinho Gomes, lamentou o fato de que as igrejas não podem ficar mais abertas diariamente como no passado, pois o risco é constante diante da insegurança.

“Vez ou outra temos registros de furtos de aparelhos de som e de outros instrumentos, por isso é preciso ter proteção, grades de ferro e segurança”.

Diário do Nordeste

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