
O Povo
Após Walter Cavalcante (PMDB) ser confirmado como o nome da base governista para a presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal, começa outro tipo de articulação. O cenário ideal para o grupo aliado ao prefeito eleito Roberto Claudio (PSB) é a retirada da candidatura de Acrísio Sena (PT). Assim, não haveria mais empecilhos para Walter ser o novo presidente. O peemedebista vai se reunir com cada vereador eleito nos próximos dias. O objetivo é fechar a chapa completa até a próxima sexta-feira, 14.
Walter Cavalcante disse que, já na manhã de ontem ligou para membros do PT para explicitar o desejo de ter um petista na chapa. “Queremos fazer uma chapa participativa e ter o PT na Mesa Diretora seria importante”, disse o vereador. Um dos problemas é que a vaga oferecida ao PT é a segunda vice-presidência, que não é vista com tanto prestígio pelos parlamentares. A resposta do PT só virá na quinta-feira à noite, após reunião da bancada com a Executiva Municipal do partido. “Vou aguardar a reunião do PT. Gostaria que (a escolha do próximo presidente) fosse consensual e não houvesse disputa. Mas, se eles resolverem bater chapa, não posso fazer nada”, afirmou Walter, dizendo que há um “limite de convencimento” para a composição da Mesa.
Questionado sobre como reagiria caso o PT exigisse um cargo de maior prestígio na Mesa para apoiá-lo, o vereador diz que qualquer decisão nesse sentido terá que ser debatida previamente entre toda a base e os líderes partidários. Em outras palavras, a base governista fez uma proposta ao PT e espera agora a contraproposta. Se essa negociação fosse com outra sigla, a base comandada por PSB e PMDB estaria mais tranquila. Mas, como se trata do PT, o tratamento é mais cauteloso. “O aspecto político é que vai pesar”, afirma Elpídio Nogueira (PSB), que retirou seu nome da disputa e agora é um dos articuladores para a eleição de Walter.
Ele disse que, para convencer o PT a desistir da postulação, é necessário deixar bem claro que a presença na Mesa não significa um pedido para que o partido mude de lado. Isso porque, logo após o segundo turno da eleição em Fortaleza, o PT municipal decidiu que será oposição à RC na Câmara.
Embora afirme não saber o número exato de apoios confirmados para cada lado, Elpídio avalia que o PT terá poucas chances de vitória caso decida continuar na disputa. “Mas você sabe como é essa coisa de votação: está de um jeito e depois pode mudar”, pondera. A preocupação tem sentido. Nos bastidores, o PT trabalha intensamente para garantir apoios suficientes para levar a candidatura de Acrísio adiante.
“Para nós, a candidatura do Walter é um elemento novo no debate e na reunião de quinta-feira vamos discutir os cenários e o rumo político”, diz Acrísio. Enquanto isso, segundo ele, os diálogos com os demais vereadores continuam.




